Caminhoneiros protestam contra reajuste no diesel

Em Santos, o protesto pacífico reuniu mais de cem motoristas na descida do Viaduto da Alemoa

Dezenas de caminhoneiros de Santos cruzaram os braços na madrugada de ontem em protesto contra o aumento no valor do diesel. A ação fez parte de um protesto nacional, que ocorreu em ao menos 13 estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Espírito Santo, Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Ceará, Paraíba e Bahia.

Em Santos, o protesto pacífico reuniu mais de cem motoristas na descida do Viaduto da Alemoa. Diferentemente dos outros protestos da categoria, o fato de não haver caminhões estacionados na Rodovia Anchieta chamou a atenção.

“Houve uma adesão significativa, tanto dos profissionais como das transportadoras, e os caminhoneiros não saíram com os veículos. O transporte movimenta o país e é muito desvalorizado”, reclama Anderson dos Santos.

Na região, a mobilização também pediu melhorias no preço do frete, o fim da cobrança de pedágio por eixo erguido, – que é o valor cheio mesmo quando o caminhão está sem carga – e o aumento no limite de pontos na CNH dos caminhoneiros.

“É injusto estipular em 20 pontos a CNH do condutor comum e dos caminhoneiros que passam mais de 18 horas dirigindo. Além disso, o preço do frete está defasado e daqui a pouco os motoristas estarão pagando para trabalhar”, aponta Anderson.

O Sindicato dos Transportadores Autônomos de Bens da Baixada Santista (Sindicam) informou que não esteve a frente da paralisação, mas apoiou o ato organizado por caminhoneiros autônomos, colocando à disposição o setor jurídico.

‘Conta não fecha’

Caminhoneiro há mais de 20 anos, Cleiton de Lima conta que os constantes aumentos no preço do diesel estão tonando inviável o trabalho.

“Por uma viagem de Santos até Paulínia a gente recebe R$2.000. São 250 litros de diesel até lá e com o valor em R$4 já são R$1.000 só de combustível. Acrescenta R$400 de pedágio, mais o valor do almoço. Isso sem contar que carregamos hoje para estufar só amanhã, ou seja: tem mais de uma diária inclusa. Acaba que ficamos com R$400, isso torcendo para o caminhão não dar nenhum problema, pois se der o conserto vai sair desse valor”, conta.

Reinvindicações

Os caminhoneiros reivindicam do Governo Federal mudanças na política de reajuste dos combustíveis da Petrobras. Eles querem redução da carga tributária sobre operações com óleo diesel a zero, referentes às alíquotas da contribuição de PIS/Pasep e Cofins. Pedem também isenção da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico).

Os profissionais argumentam que os aumentos do preço do diesel nas refinarias e os impostos afetam o transporte de cargas.