A polêmica do embarque de carga viva no Porto de Santos deverá chegar na próxima terça-feira (26) na Assembleia Legislativa de São Paulo. O presidente da Alesp, Cauê Macris, se comprometeu com cerca de 40 ativistas, numa reunião no dia 19 de junho, colocar na pauta do dia 26 o PL 31/2018 do deputado estadual Feliciano Filho (PRP), proíbe o embarque de animais vivos para fins de abate.
Ativistas percorreram diversos gabinetes e lideranças dentro da Alesp a fim de sensibilizar os deputados e convencê-los a comparecer ao plenário dia 26 para votar a favor do PL 31. Uma força-tarefa foi também criada nas redes sociais com esse intuito. Desde a partida do navio Nada do Porto de Santos, em fevereiro, com 5 mil bois rumo à Turquia, o movimento pela proibição dos embarques nos portos de São Paulo vem crescendo.
A questão ganhou ainda mais força quando, este mês, em apenas sete dias, três bois se jogaram do navio Aldelta buscando fugir da morte, sendo o último resgatado no dia 15, numa praia de São Sebastião.
Os ativistas afirmam que uma vez embarcados, esses animais bem jovens (com cerca de dois anos de idade), vivem em meio a fezes, urina, vômitos, sem condições de descansar e com dificuldade de respirar devido ao forte cheiro de amônia. Normalmente são dois veterinários para atenderem 5 mil bois ou mais. Os que se machucam e ficam doentes são eliminados.
“Todas as pessoas que tomam conhecimento de quanto os animais sofrem calados ficam terminantemente contra o embarque de animais vivos,” apontou Feliciano. “Além disso, não há nem ao menos motivação econômica para tamanha crueldade. A receita proveniente do embarque de animal vivo corresponde a meros 0,01% de todo o faturamento do estado de SP com exportação de carne. Ou seja, não prejudica o estado e atende a um anseio da sociedade que não aguenta mais essa maratona de dor e crueldade!”, concluiu o deputado.
Nesta semana, o governador Márcio França (PSB) assumiu publicamente, por meio de suas redes sociais, o compromisso de sancionar a PL. Em Santos, entre o final do ano passado e começo deste, o cais do Ecoporto (margem direita do complexo portuário) recebeu bois que eram criados em fazendas no interior paulista, distantes 500 quilômetros do litoral. Os animais foram comprados pela Turquia e embarcados no navio Nada, o maior do tipo no Mundo. A Prefeitura chegou a multar a empresa responsável pelos bovinos em quase R$ 4 milhões. O Tribunal Regional Federal (TRF) da 3º Região acabou suspendendo a liminar que proibia a exportação de cargas vivas em todo o território nacional. Com isso, a prática foi liberada em todo o país.
