Desempenhar uma função de forma autônoma e independente, podendo prestar serviços a vários empregadores em um mesmo período. Em um cenário onde o desemprego atinge cerca de 13,1 milhões de brasileiros, o número de trabalhadores por conta, ‘freelancers’ cresceu 80% em 2017.
Os dados constam em um novo Relatório de Trabalho Independente e Empreendimento realizado pela Workana, plataforma de trabalho freelance com atuação em toda a América Latina. Dos mais de um milhão de profissionais cadastrados, 4.500 são da Baixada Santista. Santos, São Vicente e Guarujá são as cidades que concentram a maior quantidade.
De acordo com o documento, a modalidade foi uma alternativa encontrada pelos brasileiros que perderam seus empregos nos últimos anos, ou para aqueles que buscaram soluções para obter uma fonte de renda extra. Além disso, o estudo aponta o surgimento de um novo perfil de trabalhador, que valoriza a flexibilidade e a liberdade de atuação proporcionada pelo freelancing.
Foi esse último aspecto que levou o fotógrafo Renato Coelho a escolher a modalidade. “Comecei a fazer freela em 2016. Trabalhei em algumas empresas anteriormente, mas escolhi essa pela possibilidade de fazer meus horários e trabalhar com o que amo. Faço o contato direto com cliente, sem intermediários. Isso também aumenta a minha rede de trabalho”, destaca.
Para ele, é fundamental ter organização para desempenhar a função, além de ter controle das finanças, justamente pelo fato de não ter uma renda exata ao final do mês.
“Priorizo as despesas fixas e vivo com o resto. Quando vejo que não tenho trabalho corro para divulgar mais para conseguir fazer aquele dinheiro chegar. A desvantagem é que sou meu próprio patrão e, portanto, o gasto de R$ 22 mil que tive com a compra de equipamentos foi só meu”, afirma.
Segmentos
O relatório aponta que os maiores segmentos que trabalham com a modalidade são Desenvolvimento Web, Design gráfico e Web e Redação de artigos. No entanto, há também profissionais de finanças, administração, engenharia e do setor jurídico cadastrados na plataforma, além de trabalhadores multimídia.
Rafael Pivato é uma dessas pessoas. Com apenas 15 anos o videomaker começou a fazer trabalhos sem vínculos para ter mais experiência na profissão que pretendia seguir. “Hoje costumo pegar no máximo até dois trabalhos no mês, além da prestações de serviços fixos que tenho pra produtora que trabalho. Para administrar tudo conto com a ajuda de aplicativos, como o Trello, pra me organizar nas datas e não deixar as coisas acumularem”, destaca.
Ele afirma que a principal vantagem da modalidade é a flexibilidade nos horários. “Eu mesmo tenho uma preferência por editar de madrugada que é mais silencioso, algo que seria inviável em um trabalho formal”, enfatiza o profissional, que emite notas fiscais via MEI.
A modalidade foi a mesma escolhida pelo jornalista Matheus Doncev. Há seis meses atuando com freelancer em uma empresa de marketing, o profissional vê nessa modalidade a possibilidade de prestar serviços distintos dentro do seu ramo de atuação.
“Quando me formei na faculdade já pretendia trabalhar dessa forma e quando a empresa onde estagiei me ofereceu a possibilidade de prestar serviço apenas alguns dias da semana eu fiquei feliz por esse retorno. Hoje busco novas oportunidades para preencher meus dias livres e atualizo meu portfólio com minha atuação nessa empresa”, conta.
Pesquisa
O mapeamento foi feito com mais de 500 empresas em toda a América Latina no período de abril a maio também identificou que apesar de não ter vínculo, o trabalho freelance oferece segurança aos contratantes: o estudo revela que 72% pretendem contratar freelancers novamente nos próximos meses. Junto ao dado, apresenta-se que a área de tecnologia (50%) seguida da de marketing (40%) são as que mais contratam, por isso Marketing e Vendas, TI e Programação e Design e Multimídia são as áreas que mais possuem profissionais cadastrados na plataforma.
Plataforma online conecta profissionais e oportunidades
Fundada em 2012, a Workana é um marketplace que conecta freelancers a empresas e possui atuação em toda a América Latina. A plataforma oferece flexibilidade e agilidade na contratação de profissionais para os projetos cadastrados e em seis anos de atuação já atingiu a marca de 250 mil projetos postados.
De acordo com Guillermo Bracciaforte, cofundador da plataforma, o cadastro tanto para o freelancer como para o cliente é gratuito e leva poucos minutos. “Cabe ao freelancer aportar dados para criar o seu perfil na plataforma e ao cliente descrever o projeto que ele gostaria de realizar”, conta.
Plataformas que dão suporte aos freelancers, além de conectarem profissionais e empresas que buscam serviços, também apresentam crescimento a cada ano. Fundada em 2012, a empresa dobrou sua atuação em relação ao ano anterior e são 22 mil projetos realizados mensalmente nas oito categorias disponíveis no site.
“É possível explicar esse crescimento por conta da tecnologia que hoje permite trabalhar de qualquer lugar como se estivéssemos lado a lado. As novas gerações querem escolher onde trabalhar e morar e também os projetos que são mais interessantes e que permitem maior flexibilidade em horários e dias de trabalho. Tudo isto em conjunto gera uma tendência inevitável para o desenvolvimento do trabalho freelance”, destaca Guillermo.
O site oferece diversos serviços, dentre eles a ‘Calculadora Freela’ para ajudar o profissional a entender quanto deveria cobrar pelo trabalho. O modelo está disponível no site: https://www.calculadorafreela.com/pt/. “Quando o freelancer conhece melhor o que ele deveria ganhar por horas trabalhadas fica bem mais fácil orçar projetos. Logo é importante conhecer quanto estão oferecendo no mercado para pessoas com habilidades similares a nossa”, afirma.
Modalidade é alternativa, mas cuidados devem ser tomados
Um dos principais motivos que faz dos serviços de freelancer uma boa opção é a economia, uma vez que a contratação desses profissionais não demanda todos os encargos e ônus advindos da manutenção de um funcionário no regime celetista: essa é a visão da advogada Samantha Paixão. “Há um baixo custo tributário, menor incidência de impostos, maior poder de negociação e, principalmente a eliminação da temida onerosidade de um contrato trabalhista convencional”, aponta.
No entanto, cuidados devem ser tomados tanto por quem deseja prestar serviços dessa forma tanto por quem deseja contratar essa mão de obra. “Este tipo de contratação deve ser formalizada por meio de instrumento próprio, confeccionado com auxílio de um advogado. Ele elaborará contrato entre as partes, estabelecendo de forma minuciosa o trabalho a ser executado e o prazo para entrega, bem como o valor a ser pago pelo serviço, a data para pagamento e a forma”, afirma.
Em casos onde o serviço não foi executado da maneira adequada ou onde o solicitante não arcou com o pagamento, a briga pode terminar na justiça. “No caso de haver vínculo empregatício e/ou registro em CTPS, deverá a ação ser proposta na esfera trabalhista, pleiteando o vínculo empregatício e as verbas devidas por ocasião do pacto laboral. Já no caso de não haver a subordinação e vínculo empregatício, a ação deverá ser proposta na esfera civil”, destaca.
Reforma trabalhista
A reforma trabalhista trouxe a possibilidade de contratação pelas empresas de funcionário, com registro em CTPS (vínculo empregatício), em regime de teletrabalho (home office) ou trabalho intermitente, modalidades essas que podem ser opções à contratação de um Freelancer.
“A Reforma abriu ainda a possibilidade de contratação de serviços específicos relacionados a demandas momentâneas, sem registro de CTPS, onde o freelancer se equipara ao velho conhecido autônomo”, enfatiza.
