Chuva provoca alagamentos e deixa cidades em estado de atenção na Baixada Santista

São Vicente registrou uma quantidade de chuva oito vezes maior que o registrado em anos anteriores

As cidades da Baixada Santista estão em nível de atenção devido as fortes chuvas registradas na madrugada de segunda-feira. Em São Vicente, a Defesa Civil foi em campo com cinco equipes: uma para vistoriar os morros; uma para a retirada de lama na Avenida Getúlio Vargas, devido a pequeno deslizamento no Morro dos Barbosas; e três equipes nos canais do Sambaiatuba, Jóquei e Náutica.

Houve registro de queda de barreira no morro do Itararé, na rua que dá acesso ao morro da Asa Delta. A via foi interditada. A Ponte Pênsil teve o acesso bloqueado, nos dois sentidos, para a retirada de terra e resíduos nas avenidas Getúlio Vargas e Newton Prado.  

O Hospital Municipal teve as dependências do andar térreo alagadas. A situação normalizou ainda pela manhã. A base do Samu, que fica na Cidade Náutica, também teve registro de alagamento. Em algumas unidades de saúde houve atrasos e falta de funcionários. Nestes casos, não houve prejuízo no atendimento. Três unidades de saúde não foram abertas hoje, devido à dificuldade de acesso: JIP, Sambaiatuba e Pompeba.

A precipitação acumulada em Mongaguá foi de 112,09mm, volume quase dez vezes maior do que o considerado normal pelas autoridades. Com isso, o município foi inserido no “estado de atenção”. Pontos de alagamento foram registrados em alguns bairros.

Durante a madrugada de segunda-feira, na região central da cidade, uma árvore com grandes proporções tombou sobre a calçada e atingiu a fiação. Após o desligamento de energia no perímetro, a vegetação foi ­removida.

A Prefeitura de Itanhaém informou que o volume de chuvas registrado foi de 235 milímetros. Quatro árvores caíram em diferentes bairros da Cidade, e os bairros Raminho, Coronel, Cibratel II e Estrada do Raminho apresentaram pontos de ­alagamento.

Em Peruíbe, aconteceram alagamentos nos bairros Caraguava, Caraminguava, Estância dos Eucaliptos, Vila Erminda, Jardim Ribamar, Arpoador, Jardim Veneza, Jardim Brasil, São João Batista 2, Arpoador 2, Ribamar e Jardim das Flores. O mais afetado foi o Caraguava. Até às 9h de hoje (4) os pluviômetros registraram 149mm no Centro; 231mm no Parque do Trevo e 220mm no Jardim Veneza.

Indíce de chuva oito vezes maior

A Prefeitura de São Vicente informou que – do meio-dia de domingo (3) até 9h de segunda-feira (4) – a Cidade registrou uma quantidade de chuva oito vezes maior (239,3 mm) que o registrado em anos anteriores, em comparativo com o mesmo período.

Em 2015, não houve registro de chuva. Em 2016, foram 27,8 mm. Em 2017, também não houve registro. Em 2018, foram 6,2 mm.

A Cidade está em nível de atenção desde a madrugada, quando houve pico de chuva das 3h às 6h.

Caso moradores observem água barrenta, trincas ou rachaduras nos imóveis, a orientação da Prefeitura é entrar em contato, por meio do número 199.

Muro desaba e destrói carros em Santos

O muro de um edifício na Rua Sebastião Arantes Nogueira, no José Menino, em Santos, desabou na madrugada desta segunda-feira. A queda aconteceu devido às fortes chuvas que atingiram toda a Baixada Santista.

Dois veículos ficaram destruídos com a queda do muro. Um terceiro veículo, que estava estacionado do outro lado da rua, foi atingido por um poste de iluminação que também caiu.

De acordo com a Defesa Civil de Santos, o edifício foi vistoriado e liberado ainda de madrugada.

Felipe Rodrigues, proprietário de um dos carros atingidos, mora próximo ao local e só ficou sabendo do estrago pela manhã. “Levantei para trabalhar e vi meu carro embaixo do muro, parecia que estava sonhando. Meu carro é novo, tirei há pouco da concessionária”, lamentou.

Segundo Rodrigues, a síndica do edifício esclareceu que o prédio tem seguro, mas ele aguardava no local para obter maiores informações. “Estou esperando para poder tomar providências”, ­completou.

O dono do outro carro atingido, Vanderlei Fonseca Júnior, também aguardava mais detalhes em frente ao prédio. “Vim pegar o carro para trabalhar e já estava assim. Acho que deve  vir algum perito do seguro do prédio para avaliar e realizar os procedimentos. Acho que meu carro ainda consegue andar, quero tirar ele daqui e dar prosseguimento no que precisa”, explicou.

Quanto ao poste, a Prefeitura informou que a CPFL foi acionada e fez o desligamento da energia.

Asfalto cede e abre buraco na Vila Mathias

Ainda por conta das fortes chuvas que atingiram a região na madrugada de segunda-feira, o asfalto cedeu em frente a um empreendimento em construção na Rua Paraná, na Vila Mathias, em Santos. A rua precisou ser interditada.

De acordo com a Secretaria de Serviços Públicos (Seserp), houve acúmulo de água no subsolo da construção. “Por conta disso, ocorreu o solapamento do solo (abertura de buraco), que alcançou boa parte da pista”, esclareceu, em nota.

Ainda segundo a Seserp, a empreiteira foi acionada para realizar a drenagem da água ainda na tarde de hoje. A partir de hoje, a Prefeitura deve iniciar o serviço de recomposição da via.  A causa da abertura do solo está sendo ­averiguada pela Defesa Civil.

De meia-noite de domingo (3) até às 3h da manhã de segunda-feira (4), Santos registrou 220 milímetros de chuva.

Por conta dos transtornos, todas as equipes da Prefeitura ficaram voltadas para o atendimento da população, com objetivo de solucionar os problemas causados pela quantidade de água.

Martins Fontes fica alagada e é interditada

A chuva intensa que atingiu a região na noite de domingo (3) e madrugada de segunda-feira (4) interditou a Avenida Martins Fontes. A via ficou alagada e intransitável. O bloqueio aconteceu a partir da Praça dos ­Andradas.

De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), por volta das 14h, foi liberada uma das faixas da Avenida Martins Fontes, sentido SP.

A Avenida Nossa Senhora de Fátima também registrou vários pontos de alagamentos, nos dois sentidos. Dessa forma, a praia foi única opção para os motoristas que precisavam se locomover entre Santos e São Vicente.

A Defesa Civil informou que o índice de chuva no período de três horas – 220mm – foi o maior já registrado nos últimos 25 anos.

Ainda de acordo com a Defesa Civil, dez pontos de escorregamentos foram verificados nos morros da Cidade, com algumas vias obstruídas, queda de árvores e pontos de alagamentos. Durante todo o dia, foram realizadas vistorias técnicas.

“Todas as equipes da Prefeitura estavam voltadas para o atendimento da população com objetivo de solucionar os problemas causados pela quantidade de água”, informou a Administração Municipal, em nota.

Segundo a Prefeitura, dez famílias e 39 pessoas ficaram ­desabrigadas.

O atendimento das famílias que perderam seus pertences está sendo feito por meio do contato direto com o Centro de Referência de Assistência Social – CRAS mais próximo da residência do munícipe (Zona da Orla e Intermediária, Centro, Rádio Clube, Bom Retiro, Alemoa, Morro São Bento e Nova Cintra). O horário de atendimento é das 8h às 17 horas.

Guarujá

A Defesa Civil de Guarujá informa que a Cidade não teve desabrigados, mas encontra-se em estado de atenção devido às pequenas ocorrências das últimas 24 horas.

No período, o Município obteve 71,0 mm de chuva com a máxima de vento registrada em 45 km/hora às 19h18. Foram registrados diversos pontos de alagamento, porém não houve registros em relação a escorregamentos.

O órgão também registrou a queda de uma árvore de grande porte (sem danos materiais ou vítimas) e a queda do galho de uma árvore de pequeno porte. A Defesa Civil alerta para a previsão de ressaca nesta segunda-feira (4).

Ônibus e VLT

Após paralisação na manhã desta segunda-feira, devido a chuva, a BR Mobilidade Baixada Santista informa que todas as linhas de ônibus estão em operação, algumas em sua totalidade da frota e outras de forma parcial, devido condições de itinerário, como pontos de alagamento e congestionamentos.

O VLT está operando normalmente.

Já a Viação Piracicabana informa que todas as linhas dos sistemas de Santos e Praia Grande estão em operação, algumas em sua totalidade da frota e outras de forma parcial, devido condições de itinerário, como pontos de alagamento e congestionamentos.