No verão, o consumo de energia elétrica tende a aumentar devido, principalmente, ao uso de aparelhos de ar-condicionado e ventiladores. Mas, um santista consegue fugir do calor e do alto custo da conta de luz. Há dois anos, o analista de sistemas, Alberto Nunes, investiu na compra e instalação de um sistema de geração própria de energia pela captação de luz solar. Com isso, sua conta mensal custa apenas 10% do que pagaria se consumisse a energia elétrica fornecida pela concessionária.
Mas, para economizar 90% na conta de energia elétrica, Nunes investiu R$ 35 mil na infraestrutura de captação da luz solar. Ele explica que adquiriu 14 painéis de captação da luz solar, que foram instalados no telhado de sua casa, e dois inversores, que convertem a corrente contínua em corrente alternada e, dessa forma, a energia é distribuída para o abastecimento de sua residência.
“O sistema são dois conjuntos de sete placas. Cada conjunto gera 280 Volts, acredito que a corrente seja por volta de 21 Ampéres. Cada um dos circuitos vai para um inversor de 1.500 Watts, que inverte a corrente contínua para a corrente alternada que é 220 Volts. Esses inversores geram a energia que é injetada na rede elétrica”, explica Nunes. “Todo esse sistema é regular, aprovado pelos engenheiros da CPFL”, ressalta.
“Eu consumo parte dessa energia gerada no sistema e o que sobra vai para a rua, que são cerca de 3.000 Watts/220V de energia, no pico. E essa sobra vai ajudar a alimentar todas as casas do bairro. Tanto é que antes de colocarem o relógio digital, quando o meu sistema estava ligado, o disco que você vê, gira ao contrário porque está mandando energia para a rua. Quando eu estou consumindo a energia, com ar-condicionado ligado e tudo mais, durante o dia, ele para porque eu estou consumindo o que eu estou gerando”, afirma Nunes.
Mas, Nunes afirma que, embora gere energia própria, recolhe uma taxa de consumo para a empresa concessionária de energia elétrica.
“Eu tenho duas medições de energia, o que eu mando e o que eu recebo. A subtração desses dois é quanto o que eu deveria pagar. Como eu gero mais do que eu consumo, teoricamente eu não deveria pagar nada, mas tem uma legislação que obriga ao pagamento de uma taxa de relógio, que é equivalente a 50 kWh que você tem que pagar. Então, hoje eu pago, por 50KWh, R$ 94,00, para a CPFL. Se eu consumi 500 KWh em casa e gerei 600 KWh, 50KWh eles guardam para mim e eu sou cobrado por 550KWh. Como eu gerei mais energia, vão cobrar só os 50KWh, mesmo eu tendo dado 100 kWh para a CPFL”, explica.
O sistema é regulamentado e utilizado com autorização da companhia de energia elétrica. Na entrada da casa, há uma placa na parede informando ‘Geração própria de energia. Sustenta Brasil’. “Essa placa é para avisar duas coisas: ao medidor de energia, que ele tem que fazer duas medições, de quanto eu consumi e de quanto eu gerei”, explica.
“Nesse mês, se eu não tivesse esse sistema, eu teria que desembolsar pelo menos R$ 1 mil pelo que eu consumi de energia. E eu paguei só R$ 94,00”, afirma Nunes.
Segundo calcula Nunes, ele levará cinco anos para recuperar o seu investimento, mas, para ele, foi válido. “Eu instalei o sistema em março de 2017. De lá para cá, a minha conta mais alta foi essa de R$ 94, o resto foi entre R$ 60 a R$ 64. A teoria é que eu tenha retorno desse dinheiro que eu investi (R$ 35 mil) em até cinco anos. Imagine que eu passei esses dois anos economizando entre R$ 400 a R$ 500 por mês, em média, então foi bastante”, afirma.
Alberto diz que o sistema produz, em média, 18 KW de energia por dia, podendo atingir um pico de 25KW. “É importante dizer que em dias mais ensolarados há maior produção de energia porque o sistema capta a luz do sol e não o calor. Em janeiro e fevereiro chove bastante, mas em março e abril há maior geração de energia porque os dias são mais ensolarados”, explica.
