Réu confesso pelo estupro, assassinato e ocultação de cadáver da estudante Carla Roberta Barbosa, a Carlinha, de 9 anos, Renato Mariano, de 39, foi condenado na noite desta quarta-feira (31) a 52 anos e seis meses de prisão. Ao ser interrogado no plenário do júri, no Fórum de Santos, à tarde, ele confessou e detalhou sua conduta. O caso, que teve grande repercussão, ocorreu em 29 de janeiro de 2017 na região central. Seis homens e uma mulher formaram o Conselho de Sentença.
“Tinha acabado de sair do mercado quando eu estava passando e ela (Carlinha) estava lá na rua. Eu chamei ela para ir lá em casa. E ela foi. Chegando lá eu dei uma gravata nela e pratiquei a violência (estupro)”, afirmou Mariano durante o interrogatório.
Ele disse que poderia ter abordado qualquer outra criança naquela data.
“Assim que ela entrou no cômodo eu tive a vontade”, disse o homem. O quarto onde ele morava e consumou o crime fica em um cortiço na Rua Amador Bueno, no Paquetá, a poucos metros do imóvel onde a menina morava com a mãe.
Ele admitiu que entendeu que a menina ficou “desacordada” após a gravata, mas disse não ter certeza se ela estava morta.
“Depois de eu terminar de ter feito isso, eu enrolei ela em um lençol, coloquei dentro do carrinho e fui levando até o local onde eu deixei o corpo no chão (na Rua Constituição)”, afirmou.
Mariano afirmou estar arrependido.
“Eu nunca devia ter feito isso com ninguém, principalmente com uma criança. Nada vai trazer a vida dela de volta. Nem que acontecesse alguma coisa comigo, não sei dizer. Só isso. Eu não sei falar mais nada sobre esse assunto”, declarou.
A tese do Ministério Público, acolhida pelos jurados, foi a de que o réu tinha consciência da conduta ilícita e, por isso, sendo postulada a condenação por estupro de vulnerável, homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
A defesa sustentou que o réu é psicopata e deveria ser considerado inimputável, sendo encaminhado a um manicômio judiciário.
Testemunhas
Cinco testemunhas – dois investigadores, um psiquiatra, a mãe de Carla e uma protegida – foram ouvidas antes do interrogatório do réu, que durou 28 minutos.
O psiquiatra Wlademir Bacellar do Carmo Filho, um dos peritos que examinou Mariano durante a fase de instrução do processo, afirmou no plenário que o homem tem transtornos pela personalidade dissocial, que é caracterizada por um desprezo das obrigações sociais e falta de empatia, pelo uso de crack e pela pedofilia, que é do gênero não exclusiva, já que Mariano tem atração também por adultos.
Bacellar assegurou que o réu é “plenamente imputável”, ou seja, pode ser condenado pelos crimes, pois tinha capacidade de entender o caráter ilícito de sua conduta. “A capacidade cognitiva estava preservada”, disse o médico perito.
O investigador-chefe Marcelo Canuto, do Setor de Homicídios de Santos, detalhou a elucidação do crime, que contou com análise de mais de 40 câmeras de monitoramento e exame de DNA.
Com 25 anos de experiência, a brutalidade do delito foi ressaltada pelo policial civil. “Envolvendo uma criança, com tanta brutalidade, eu nunca tinha me deparado e investigado (um caso como esse)”, afirmou.
Edneusa relatou que a menina saiu para brincar na tarde de 29 de janeiro de 2017 e que descobriu o crime após uma vizinha mostrar a foto do corpo no celular. Ela segue em tratamento psiquiátrico devido à perda da filha. “Era 24 horas comigo”, declarou, sob forte abalo.
