Ex-dono do Baccará será interrogado nesta terça no Fórum de Santos

Empresário nega participação no homicídio de Lucas Martins de Paula, segundo a defesa; “dentro da verdade absoluta, ele vai externar efetivamente o que aconteceu naquele dia”, diz advogado

O ex-dono do Baccará Bar & Grill, Vitor Alves Karam, acusado de participação no homicídio do universitário Lucas Martins de Paula, de 21 anos, em julho de 2018, será interrogado na tarde desta terça-feira (3), a partir das 15h30, no Fórum de Santos.

Karam se encontra no Centro de Detenção Provisória (CDP) de São Vicente e nega qualquer participação no crime, segundo a defesa dele.

“Dentro da verdade absoluta, ele (Karam) vai externar efetivamente o que aconteceu naquele dia”, afirmou ao Diário do Litoral o advogado Eugênio Malavasi.

Após o interrogatório, a Justiça irá definir se o empresário irá ou não a júri popular. Ainda não há sentença de pronúncia (decisão que leva acusado a júri) para nenhum dos quatro réus.

Outros dois corréus respondem presos: os seguranças Thiago Ozarias Souza e Sammy Barreto Callender.

Um terceiro segurança, Anderson Luiz Pereira Brito, que era encarregado do setor, segue foragido. 

Prisão em São Paulo

Vitor Karam foi preso no último dia 17 de julho, após ficar quase um ano foragido. Ele foi localizado por policiais militares em um condomínio na Zona Oeste de São Paulo após uma denúncia anônima.

O pais da vítima, Isaías de Paula e Claudia Cristina de Paula, estarão no fórum nesta terça-feira e cobram justiça. 

“A expectativa é que ele continue preso após ser ouvido, até o julgamento, e que tenha a condenação com pena máxima. Para que isso sirva de exemplo e nunca mais ocorra na cidade. É justiça, é isso que a gente quer. Não vai trazer meu filho de volta, mas sempre (estamos em) em busca de justiça”, afirma Isaías. 

“Para mim, ele (Karam) é a principal pessoa de tudo que aconteceu ali, porque ele podia ter evitado. Ele tinha poder para isso na hora. As pessoas que estavam ali e agrediram meu filho eram subordinadas a ele. Então, ele tinha poder. Uma palavra só ele acabava com aquilo ali tudo. Então para mim ele é uma pessoa-chave dentro do que aconteceu ali”, afirma o pai da vítima. 

O crime

Lucas foi espancado, na saída do Baccará Bar & Grill, na Rua Oswaldo Cochrane, no Embaré, após contestar a marcação de uma cerveja de R$ 15 em sua comanda na madrugada de 7 de julho. Com traumatismo craniano, ele morreu em 29 de julho na Santa Casa de Santos.

Thiago Ozarias desferiu, segundo a denúncia do Ministério Público, violentos golpes na vítima. Sammy, ainda de acordo com a peça de acusação,  desferiu um soco no rosto do universitário, levando Lucas a cair já inconsciente ao chão. O crime foi captado por uma câmera de monitoramento de uma escola na Rua Oswaldo Cochrane.

Conforme escreveu o juiz Alexandre Betini, ao decretar as preventivas em agosto do ano passado, com base nos fatos apurados durante a investigação, Thiago Ozarias “achou por bem espancar Lucas, tudo com a anuência dos demais acusados, que não só assistiram, mas anuíram a essa conduta, impedindo que os amigos de Lucas o ajudassem, agredindo-os, não determinando a cessação dos golpes aplicados por Thiago em Lucas”.