Com o tema “50 anos de Stonewall: Viver! Amar! Lutar!”, em referência aos incidentes no bar americano Stonewall, na década de 1960, se encerra, neste domingo (29), a VIII Semana da Diversidade Sexual de Santos. Visando fortalecer a luta pelos direitos da população LGBT, além de promover a resistência, a programação teve início na última segunda-feira e foi composta por palestras, exposições, oficinas e exibições. Neste sábado (28), duas atividades se destacam: o Drag Queen Curso e a exibição do longa-metragem “Meu Corpo É Político”.
O curso de drag queen é ministrado por Zecarlos Gomes, ator, bailarino, drag queen, diretor teatral e palhaço. Na estrada desde 2012, a oficina surgiu com o propósito de promover o embasamento artístico com relação à criação de uma personagem drag, desenvolvendo técnicas de teatro, maquiagem e dança.
Segundo Zecarlos, a oficina trabalha a questão de cada participante como indivíduo, de maneira a inseri-los no convívio social. “O curso abre espaço para a reflexão quanto a se encaixar nesta sociedade de maneira empoderada e de se entender como sujeito”, afirma o ator.
Ele destaca, ainda, a presença de uma construção da beleza padronizada, integrada por indivíduos brancos, europeus e magros. Em contramão a este padrão, o curso artístico busca empoderar os corpos opostos a este estereótipo, em sua maioria gordos e negros.
Tendo iniciado mais de 400 drags, o curso é referência do segmento no Brasil. Mediado pela drag Sheyla Muller, o workshop gratuito é uma aula aberta de maquiagem, com vinte participantes pré-inscritos. Além da oficina, Zecarlos Gomes estreia hoje, no Sesc Santos, com seu espetáculo ‘Personal Drag’, dirigido por Kadu Veríssimo.
LONGA-METRAGEM
O longa-metragem, da diretora Alice Riff, foi lançado no ano de 2017 afim de relatar vidas cotidianas diante do cenário urbano. Nesta produção, em especifico, porém, a narrativa gira em torno de nada menos que quatro personagens transgênero.
O filme é protagonizado por Paula Beatriz, diretora de uma instituição pública, Giu Nonato, fotógrafa, Linn da Quebrada, atriz, cantora e professora de teatro e Fernando Ribeiro, operador de telemarketing. A escolha de tais personagens se deu, segundo Alice, com o objetivo de mostrar um outro viés ao se falar do público transgênero.
Isto porque, segundo a diretora, vivemos em uma sociedade transfóbica, de maneira que todos os relatos relacionados às pessoas trans são de criminalidade, trabalhos precarizados, entre outros casos. “O gesto de mostrar que existem pessoas trans professoras, estudantes, artistas, é uma maneira de se juntar a uma luta do movimento e da militância LGBT de ocupação dos espaços de trabalho e de educação”, explica.
Para Alice Riff, é preciso construir contra-narrativas que deem visibilidade a estas pessoas.
