O Complexo Portuário de Santos, tão acostumado a ser cinza, está ficando colorido. Isso porque um dos muros da Avenida Perimetral está sendo cuidado pelas mãos de sete artistas da cena do grafite santista: Bomfim, AmorOdio, Hugo, Colante, Fixxa e a dupla Shesko & Sirius.
O projeto ‘Mural da Perimetral’ nasceu em março de 2018, quando os grafiteiros tiveram a ideia de juntar em um só local a arte de quem representa o grafite em Santos.
A ação foi contemplada pelo Concurso de Apoio a Projetos Culturais Independentes e recebeu verba do Fundo Municipal de Assistência à Cultura (Facult).
O muro escolhido foi em local estratégico: é bem próximo ao ponto de embarque das catraias e da região do Mercado Municipal, ou seja, é passagem de muita gente que, a partir de agora, será surpreendida com arte pelo caminho.
A previsão é que o mural seja concluído hoje (27). Todo o processo de criação está sendo documentado pelo fotógrafo santista Tom Leal.
Depois, as imagens e vídeos captados serão mostrados em uma exposição ainda sem data definida.
Além do mural, os grafiteiros irão oferecer, em novembro, uma oficina para jovens a partir de 16 anos, na Vila Criativa da Vila Nova.
“Ainda vamos divulgar, mas será em um sábado. Eles vão aprender a fazer lambe-lambe, murais, um pouco do universo do grafite”, explica Thiago Viana, o AmorOdio.
Quem quiser acompanhar, pode acessar a página no Instagram: @muraldaperimetral. Toda a ação tem o apoio da Codesp e da Guarda Portuária.
SUPREENDIDOS
Os artistas chegaram para montar o andaime meio assustados. O motivo? Muitas coisas que ouviram falar sobre a Vila Nova, um dos bairros mais pobres do município.
“Falaram que era muito perigoso fazer nosso projeto aqui por causa dos assaltos, que seríamos surpreendidos por ladrões”, conta Érico Bomfim.
E eles foram mesmo surpreendidos – não pela violência, mas por sorrisos e olhares curiosos de quem, há tempos, não via cores nem atenção despendida ao esquecido bairro portuário.
“O pessoal foi muito receptivo. Os caminhoneiros também têm sido simpáticos, passam acenando e buzinado. É muito gratificante mexer com o cotidiano deles assim”, declara Thiago.
E o impacto da intervenção artística tem sido tão positivo, que um dos moradores descolou uma oportunidade de trabalho. É o João Roque, um senhor que se ofereceu para vigiar o andaime e as pinturas durante a madrugada. Outro rapaz, que é catador, passa todo dia para levar embora os resíduos gerados durante a produção dos grafites.

O morador João Roque está vigiando os andaimes durante a madrugada. (Crédito: Tom Leal).
“Esse é o poder da arte! Sem planejar, devolvemos um pouco da cidadania que eles perderam”, observa amorOdio.
