Quantos ataques em média um presidente da república faz a jornalistas de seu país? Uma estatística desse tipo parece surreal, mas existe. E, no Brasil, cresce todas as semanas. São tantas ocorrências que a Federação dos Jornalistas (Fenaj) resolveu contar.
Nos primeiros 300 dias de governo de Jair Bolsonaro (PSL) foram 99 ofensas. Do dia 1º de novembro até o momento em que você lê este artigo certamente mais insultos foram registrados.
Segundo a Fenaj, são em média dois ataques por semana, seja por meio de discursos, entrevistas ou postagens em redes sociais. Um cenário de ameaça às liberdades de imprensa e de expressão e uma tentativa de descredibilizar o trabalho jornalístico, além de um incentivo ao linchamento moral e físico de profissionais durante o exercício da profissão.
Casos de agressões a trabalhadores da imprensa já tinham crescido 36% em 2018 (135 ocorrências, incluindo um assassinato) comparado com 2017 (99).
Depois do último dia 7, uma onda de intolerância virtual contra jornalistas tomou conta do país por dias. Na data, o jornalista Augusto Nunes agrediu fisicamente o colega de profissão Glenn Greenwald, do The Intercept, durante um programa de rádio.
Em outro caso mais recente, em maio deste ano, o alvo foi uma repórter. Bolsonaro disse que ela deveria voltar para a faculdade e fazer um “jornalismo que preste” e que o jornal precisava parar de contratar “qualquer uma”. A repórter perguntava para o presidente se ele achava que cortar gastos das universidades não poderia afetar a qualidade do ensino superior no Brasil.
*Do ‘Trabalhadores da Notícia’ com informações da FENAJ.
