Baixada não tem previsão de lockdown

O pico da Covid-19 em Santos deve acontecer em junho

As cidades da Baixada Santista ainda não têm previsão de lockdown devido ao coronavírus. No Brasil, alguns estados e municípios já decretaram a medida porque o distanciamento social não foi suficiente e os casos não param de subir, causando uma sobrecarga no sistema de saúde.

Quando o lockdown é declarado, a região afetada tem bloqueio total de acesso e as pessoas só podem sair de casa em situações de extrema necessidade e emergências. Farmácias, supermercados, hospitais e locais considerados essenciais ficam abertos. Já o fluxo de veículos é totalmente ou parcialmente suspenso, dependendo da região.

Por aqui, segundo as prefeituras, a medida ainda não está em pauta porque o número de leitos disponíveis ainda é considerado seguro, de acordo com as estatísticas que direcionam as ações do Executivo e secretarias municipais de saúde.

Santos, cidade que absorve a demanda de pacientes de municípios vizinhos, registrava, até esta sexta-feira (8), 1.120 casos confirmados de Covid-19 e ainda tinha disponíveis 42% dos leitos públicos de UTI adulto. Entre hospitais públicos e privados, o município disponibilizou até o momento 662 leitos para pacientes que necessitarem de internação devido ao coronavírus. Deste total, 198 são leitos de UTIs.

Se nas próximas semanas Santos alcançar a ocupação máxima das UTIs disponíveis, há, segundo a Prefeitura, um Plano de Contingência Hospitalar que prevê 530 leitos no Sistema Único de Saúde (SUS) específicos para pacientes de Covid-19, sendo 137 de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e 393 de enfermaria.

Sob gestão municipal serão 258 leitos (79 de UTI) distribuídos entre o Complexo Hospitalar dos Estivadores, Hospital de Pequeno Porte (HPP) Central, UPA Zona Leste, Afip, Santa Casa e Beneficência Portuguesa. Sob gestão estadual serão 73 leitos Covid-19 (27 de UTI) no Hospital Guilherme Álvaro.

A UPA Central também terá estrutura específica como hospital de campanha, com 61 novos leitos, e o Hospital Vitória, na Vila Belmiro, contará com 130 vagas. Há previsão de leitos no Complexo Hospitalar da Zona Noroeste e outras unidades, de acordo com a necessidade.

A estimativa do Ministério da Saúde indica que o pico da Covid-19 em Santos será na primeira semana de junho. Portanto, até lá, não há como prever se uma medida mais rígida, como o lockdown, será necessária.

“A ampliação das medidas de restrição na Baixada Santista depende do avanço da doença e a capacidade de atendimento hospitalar para os casos graves”, explicou a prefeitura.

POUCAS UTIS

A falta de estrutura médica para atender pacientes em estado grave em outros municípios da Baixada Santista preocupa. São Vicente, por exemplo, tem até o momento apenas 10 leitos de UTI no Hospital São José e já considera a possibilidade de se atingir a ocupação máxima deles, segundo a prefeitura.

A Administração afirma que estão previstas entregas na próxima semana de mais 10 leitos de UTI no Hospital Municipal e 15 leitos de UTI no Hospital de Campanha que está sendo estruturado na Praça dos Ambientalistas, no Jardim Rio Branco.

Ainda de acordo com a assessoria, havendo necessidade, mais leitos serão estruturados no Hospital Olavo Horneuax de Moura, no Humaitá.

Praia Grande tem somente oito leitos de UTI específicos para Covid-19. A assessoria explicou que o município necessita com urgência de respiradores para aumentar sua capacidade de atendimento com mais 30 leitos novos de UTI, que aguardam 27 respiradores para entrarem em funcionamento.

Bertioga possui 10 leitos de UTI adulto, assim como Cubatão. Guarujá tem 14 leitos de UTI. Mongaguá não possui leitos para casos graves. Itanhaém e Peruíbe não responderam.