Após ressaca, moradores da Ponta da Praia criticam projeto para conter avanço do mar

Após ressaca, moradores da Ponta da Praia criticam projeto para conter avanço do mar

Projeto pioneiro no País saiu por R$ 2,9 milhões, moradores questionam resultado e avenida segue invadida

Quem percorreu a pé ou de carro a Ponta da Praia ontem sabe que as imagens falam por si. O projeto de instalação de geobags, fruto de uma parceria da Prefeitura de Santos com a Universidade de Campinas (Unicamp), para conter as ondas impedindo-as de ultrapassar as muretas e atingir a Avenida Saldanha da Gama, não deu o resultado esperado por moradores afetados pelos transtornos das ressacas. A Guarda Municipal chegou até a interromper o trânsito a partir da Avenida Coronel Joaquim Montenegro (Canal 6).

A barreira submersa com 49 geobags, colocada em formato de L, a estrutura perpendicular à praia, de 275 metros, instalada a partir da mureta na altura da Rua Afonso Celso de Paula Lima, com função de diminuir a energia das ondas e mais a estrutura paralela à praia, de 240 metros de extensão, com objetivo de ajudar a armazenar areia, tem seus efeitos questionados, pois o mar ultrapassou o canteiro central e atingiu a calçada do outro lado da via.

“É impressionante os gastos desnecessários realizados pela Administração em relação a essa contenção da Ponta da Praia. Divulgaram que não ocorreria mais transtorno e inundações da água do mar. São 13h30 e a água já atinge a região do Aquário. Ou seja, gastaram milhões para nada. A água continua invadindo as garagens dos prédios”, diz o advogado Hemilton Carlos Costa.

Custo

Vale lembrar que o custo da obra foi de R$ 2,9 milhões, repassados a Santos pelo Ministério Público Estadual, como resultado de uma multa ambiental aplicada por um acidente no Porto. Como no mês passado, a ressaca que começou ontem não destruiu as muretas, mas deixou moradores do prédio em frente apreensivos. Muitos levantam dúvidas sobre a efetividade do projeto.

O também advogado César Augusto, morador da Rua Carlos de Campos, disse que sempre que há ressaca, a rua enche. Revela que a água do mar não chegou a invadir a garagem do seu prédio, mas nos imóveis vizinhos foram instaladas comportas para evitar invasões e prejuízos aos veículos. “Mesmo assim, a água entra. Inclusive entrou este ano. Percebemos que os bags só seguram maré cheia. Quando ocorre ressaca, servem pra nada”, dispara.

A agitação marítima, ventos intensos e chuva de intensidade moderada a forte, decorrente do avanço de frente fria na região, provocou ondas de dois metros de altura, inundando as estruturas urbanas da Nova Ponta da Praia.

Há anos, a cidade tem investido em obras para tentar amenizar o impacto das ressacas e da alta da maré. Um desses investimentos foi a implantação da barreira de geobags – sacos de areia submersos instalados em 2018, na Ponta da Praia, com objetivo de conter a força das ondas. Em 2016, a água do mar entrou em diversos imóveis, pedras foram lançadas na via, que precisou ficar interditada por uma semana.

Prefeitura

A Prefeitura afirma que os geobags não têm a função primária de impedir ressacas, mas proteger o trecho de praia onde estão colocados, permitindo que parte da areia que passa sobre eles se acumule e ajude a recompor a faixa de areia.

O professor doutor Tiago Zenker Gireli, da Unicamp, garante que os geobags acabam tendo um efeito “extremamente benéfico, porque as ondas perdem força”. “Com o tempo e a ação dos bags, a praia crescerá novamente e provocará a arrebentação das ondas antes que atinjam as pedras”, finaliza nota da Prefeitura (Carlos Ratton)