Munícipes e vereadores questionaram a Prefeitura de Santos sobre uma suposta manipulação nos números dos casos positivos de Covid-19 na cidade. As dúvidas aumentaram na terça-feira (4), quando a página oficial do órgão no Facebook divulgou a quantidade de casos positivos da doença sem contabilizar os 140 funcionários da Câmara diagnosticados com Covid após a realização de testes rápidos feitos naquele mesmo dia. Ao todo, 329 funcionários fizeram o exame.
No dia seguinte (5), dos 140 casos confirmados na Casa, apenas 71 foram contabilizados no Boletim Oficial porque, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, os demais 69 que testaram positivo não transmitem mais o vírus.
Em seguida, a vereadora Telma de Santos se manifestou em sua rede social questionando a justificativa. No relato, ela diz que os infectados, independente de estarem ou não transmitindo a doença, estatisticamente foram contaminados, por isso deveriam constar no boletim.
“Se o entendimento for desprezar o teste positivo de quem não está transmitindo ou inconclusivo, é bem possível que os casos estejam subnotificados”.
A vereadora também perguntou sobre a origem dos testes adquiridos pela Administração e lembrou que o município não faz a retestagem por meio do exame RT-PCR, o que é recomendado quando testes rápidos apontam resultados positivos para Covid-19.
“Alterar o entendimento sobre as estatísticas demonstra que a pandemia está descontrolada em Santos, a estratégia de enfrentamento está equivocada e as informações podem estar sendo manipuladas”, concluiu.
Falso positivo
O vereador Benedito Furtado também se manifestou ontem (6) em suas redes sociais. Ele foi uma das pessoas diagnosticadas com corona, de acordo com o resultado do teste rápido realizado na Câmara de Santos.
Mas, ao realizar novo exame, dessa vez por teste sorológico em laboratório particular, o resultado foi negativo para Covid-19.
“Ao examinar o resultado, o médico e amigo Evaldo Stanislau me informou que não estou infectado e que o teste rápido realizado na Câmara com certeza havia acusado ‘falso positivo’. Agora, é esclarecer quais razões estão levando os gestores públicos a submeter a sociedade a testes rápidos com tamanha imprecisão”, declarou.
Prefeitura
Em nota, a Prefeitura rechaçou a acusação de suposta tentativa de manipulação de informação sobre a quantidade de infectados pelo Coronavírus. Quanto à origem dos testes, disse que são todos aprovados pela Anvisa.
Em relação à premissa de que casos positivos que não transmitem mais o vírus podem ser desconsiderados dos Boletins Oficiais, a Secretaria de Saúde respondeu que segue as definições de casos e de notificações estabelecidas pelo Ministério da Saúde e Secretaria de Estado da Saúde.
De acordo com essas resoluções, assintomáticos da Covid-19 que tiveram resultados de anticorpos IgM ou IgA (ou seja, ainda com a doença e produzindo anticorpos) é que são considerados positivos para corona, o que explicaria a contabilização parcial e não total dos casos da Câmara no Boletim Oficial.
Informou ainda que esses casos entraram na edição do informativo de quarta-feira e não no de terça porque após a realização dos testes, os resultados foram encaminhados para análise da Seção de Vigilância Epidemiológica e, só depois, passaram a integrar as estatísticas oficiais municipal, estadual e federal.
