Bombeiros de Santos podem ‘colapsar’ por falta de efetivo

Levantamento de Sérgio Santana aponta equipes com somente 1/3 do ideal; Estado não divulga efetivo vindo à Região

O Corpo de Bombeiros foi a corporação eleita com o maior grau de confiabilidade pelo 11º ano consecutivo, segundo a pesquisa Ibope publicada em 7 de agosto de 2019. No entanto, em Santos, essa hegemonia está sob risco. Pelo menos essa é a impressão do vereador santista Sérgio Santana (PL) que, recentemente, fez uma levantamento da situação dos quatro postos existentes e não gostou do que constatou: uma defasagem de dois terços do efetivo operacional ideal.

Segundo Santana, as unidades do Centro, Gonzaga, Ponta da Praia e Jardim Castelo (Zona Noroeste) trabalham em três turnos com, em média, com quatro bombeiros operacionais por turno de 24 por 48 horas de descanso. “O certo seria, no mínimo, 12 homens operacionais a cada 24 horas, perfazendo um efetivo de 36 homens por unidade e não 12”, explica.

Ainda segundo o parlamentar, o contingente operacional dos bombeiros de Santos deveria ser de, ao menos, 144 profissionais de combate direto ao incêndio, mas só há 48. E as consequências são imagináveis: “não preciso revelar o desgaste físico e emocional dos bombeiros e os riscos que correm as vítimas de incêndio”, afirma.

CENTRO E GONZAGA

A unidade do Centro é um exemplo: quatro homens operacionais e mais quatro administrativos. Segundo relatório do parlamentar, muitas vezes, um bombeiro motorista fica escalado para três ocorrências no dia. “Ele sai na que tiver maior necessidade. Acaba tendo que se dividir e, se tiver uma ocorrência que necessite de três viaturas ao mesmo tempo, só consegue levar uma, inclusive para auxiliar outros municípios”, afirma Santana.

No posto do Gonzaga, são três homens operacionais por dia em média e mais três na unidade de resgate com um enfermeiro, que atende praticamente a Cidade sozinha, com uma média de 15 ocorrências por dia. “Muitas vezes, ficam uma ou duas ocorrências na espera, aguardando a liberação da viatura e o caminhão de incêndio tem que prestar o primeiro atendimento. Já houve espera de até 30 minutos”, afirma.

PONTA DA PRAIA E ZN

Na Ponta da Praia também são quatro por equipe, quando deveria ser montada, no mínimo, uma guarnição de auto bomba, que tem capacidade de quatro ou cinco homens. “Quando inaugurado, o posto chegou a operar com 13 homens por equipe”, informa.

No Jardim Castelo é um pouco diferente. Quatro homens no caminhão de incêndio e dois de apoio, totalizando seis no plantão, em um lugar afastado dos demais postos e atendendo habitações insalubres e de madeira, além dos morros santistas e dar apoio logístico ao posto de São Vicente.

FAZ TUDO

Com papel imprescindível na segurança da sociedade, atuando no controle e prevenção de incêndios, resgates, salvamentos, desastres naturais e preservação do patrimônio e do meio ambiente, o bombeiro é um profissional completo. “O caminhão de incêndio não atua apenas em ocorrências de fogo, mas captura cães, cobras, no corte de árvores e pessoas presas em ferragens após acidentes”, lembra.

Sérgio Santana informa em seu levantamento que a Escola Superior de Bombeiros (ESB) – a maior da América Latina – forma 400 homens e mulheres por ano, mas a Baixada Santista (composta por nove municípios) recebe no máximo sete. O Curso de Bombeiros para Cabos e Soldados veteranos, envia entre oito e 15 profissionais para toda região. “São mais de 12 postos operacionais, fora a administração. Além disso, 95% dos aprovados na Baixada são remanejados para outros municípios do Estado, chegando a passar até cinco anos fora da Baixada”, revela.

Ainda segundo levantamento do vereador, a defasagem do Estado estaria em torno de 10 mil bombeiros. “Muitos municípios do Interior de São Paulo trabalham com dois ou três bombeiros, auxiliados por guardas municipais e voluntários, pagos pelas prefeituras”.

Vereador e PM reformado, Santana enfatiza que desde 17 de junho do ano passado alardeia o Governo Estadual. “Eu apresentei, junto com outros vereadores, uma minuta ao secretário de Segurança Pública com todos esses problemas não só de efetivo, como de equipamentos, lembrei do incêndio da Ultracargo e pedi providências, que aguardo até hoje. Nosso Bombeiro está à beira do colapso”, encerra.

ESTADO

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) garante que investe na valorização e recomposição do efetivo policial e dos bombeiros. “Somente na atual gestão, 444 novos agentes foram contratados para a corporação que conta com efetivo apto a atender a demanda operacional no Estado, incluindo a região da Baixada Santista”, afirma, em nota, sem apontar o efetivo enviado à Região nos últimos meses.  

No mesmo período, foram investidos R$ 23,5 milhões na aquisição de 76 novas viaturas para a corporação, entre veículos auto bomba, unidades de resgate, suporte avançado, entre outros.

Desde o início do ano, somente na Baixada, os bombeiros atenderam 1.364 incêndios, 5.050 resgates e 2.747 salvamentos, entre ações de apoio, proteção e prevenção.