Santos terá simulação do maior roubo de sua história e PM inicia ampla divulgação

A ação será iniciada às 23h do próximo dia 21 e estão previstas ao menos duas explosões controladas; ação de treinamento visa dissuadir quadrilhas especializadas de agirem novamente na Cidade

A cidade de Santos terá uma simulação de ocorrência compatível com o maior roubo de sua história – o crime contra a Prosegur em 4 de abril de 2016 – e moradores de Santos e Região estão sendo cientificados pela Polícia Militar, com apoio dos órgãos de imprensa, sobre a complexidade do evento, que será iniciado às 23h de segunda-feira (21) e deverá avançar na madrugada de terça-feira (22). Ao menos duas explosões controladas estão programadas.

Como a simulação terá policiais militares do 2° Batalhão de Ações Especiais de Polícia (2° Baep) fardados e policiais militares na condição de figurantes, além de situações simuladas como socorro de feridos, por exemplo, a PM faz o alerta para que moradores não tenham a impressão de estarem diante de um caso como o de 2016, em que até mesmo moradores de bairros vizinhos foram impactados e ficaram assustados. Cartuchos de airsoft e de festim serão utilizados na simulação de confrontos. 

Ao menos duas explosões controladas serão realizadas na Rua Silva Jardim, no Macuco, trecho onde fica a Prosegur, no número 365, e haverá bloqueios de tráfego no quadrilátero entre a Avenida Rodrigues Alves e as ruas Manoel Tourinho, Campos Melo e João Guerra. Haverá também simulação de veículo incendiado.

“Não podemos contar com a possibilidade, por exemplo, de um indivíduo que tenha a sua arma regular dentro do seu apartamento, em uma posição privilegiada em relação ao local dos fatos, que ele queira ajudar a PM e saque sua arma e efetue disparos no momento de uma simulação por exemplo”, assinalou o major do 2° Baep Francisco em reunião com órgãos de imprensa na manhã desta quarta-feira (16), na sede do batalhão, na Ponta da Praia.

“Nós teremos progressões de policiais militares e figurantes pela Rua Luis Gama, pela Rua Silva Jardim e pela Rua Borges”, disse o major.

O comandante do 2° Baep, tenente-coronel Reinaldo, frisou aos jornalistas que policiais militares de outras cidades também vão se mobillizar, em virtude da complexidade de treinamento que o simulado visa alcançar, e que é importante que os moradores de outras cidades da Baixada Santista também estejam cientes do simulado.

“O criminoso quando ele foge, ele foge para qualquer lugar lugar. Ele pode ir para São Vicente, Praia Grande, Guarujá, qualquer região”, assinalou.

“No Guarujá, se você (munícipe ou turista) eventualmente ver alguma coisa acontecendo com viaturas, concentração delas, também faz parte do simulado. É importante destacar essa situação”, afirmou.

‘Novo Cangaço’

Conhecido popularmente como “Novo Cangaço”, os ataques ultraviolentos, como os que ocorreram em Criciúma (SC) e Cametá (PA) recentemente, tem criminosos dispostos a promover o confronto com as forças policiais e seguranças particulares para atingir o objetivo de subtração de vultosas de bancos e empresas transportadoras de valores, por exemplo.

Na última década, esse modo de atuação em cidades de pequeno e médios portes no Nordeste se disseminou pelo país.

Questionado pelo Diário sobre os modos de atuação das quadrilhas nos roubos a banco e contra transportadoras de valores, o capitão do 2° Baep Torres afirmou que o modus operandi adotado pelos criminosos é semelhante.

“Eles pegam um perímetro, cercam com pontos de segurança em que eles colocam atiradores e que impossibilita a aproximação policial. Existem casos em que eles usam reféns, existem casos em que eles não usam reféns, em que acontece explosão, em que eles fecham vias com caminhões, carros. Essas particularidades são de cada ocorrência, mas o mote geral é muito genérico”, disse.

Terror

O assalto à Prosegur, cometido por cerca de 30 criminosos, deixou um rastro de terror e mortes na Baixada Santista. 

As vítimas fatais foram o morador de rua Dejair Zizuino de Lima, de 37 anos, atingido próximo ao local do tiroteio, e os policiais militares ­rodoviários Leonel  Almeida de Carvalho, de 29, e Alex de Souza Silva, de 28, atingidos por um disparo de fuzil na Rodovia Anchieta, em Cubatão, enquanto os bandidos ­fugiam.

Foi retirada do cofre na madrugada de 4 de abril a cifra a R$ 12,1 ­milhões. Na data do crime, durante perseguição, foram recuperados pela Polícia Militar quase R$ 8,8 milhões na entrada de Santos. O prejuízo da multinacional, portanto, foi de R$ 3.368.182,81. 

Três participantes foram condenados em 16 de janeiro de 2019 a penas que variam de 70 a 110 anos de reclusão.