O desemprego durante a pandemia de Covid-19 bateu um novo recorde em novembro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira.
De acordo com o levantamento, o País encerrou novembro com 14 milhões de desempregados, crescimento de 2% em relação a outubro, quando havia 13,8 milhões de desempregados. Se comparado a maio, quando a pesquisa foi iniciada, o aumento é de 38,6%.
Com os índices, a taxa de desemprego ficou em 14,2% em novembro, 14,1% no mês anterior e 10,7% em maio. Os dados são da última edição da PNAD Covid-19, lançada neste ano pelo IBGE para identificar os impactos da pandemia no mercado de trabalho.
“Esse aumento da população desocupada ocorreu, principalmente, na região Nordeste. Nas demais regiões ficou estável, sendo que no Sul houve queda na desocupação”, disse a coordenadora da pesquisa, Maria Lucia Viera.
De acordo com o IBGE, o crescimento de desempregados pode estar relacionado com a redução e perspectiva de término do auxílio emergencial. “A redução do auxílio pode estar fazendo sim com que as pessoas precisem retornar ao mercado de trabalho”, ressaltou a pesquisadora.
Houve uma queda de 1,2% na proporção de residências que receberam algum auxílio relacionado à pandemia – passando de 42,2% em outubro para 41% em novembro, de acordo com o órgão.
As regiões Norte e Nordeste foram as regiões com os maiores percentuais: 57,0% e 55,3%, respectivamente.
População ocupada
O índice de população ocupada subiu para 84,7 milhões, representando um aumento de 0,6% em relação a outubro, quando o índice era de 84,1 milhões. Esta foi a primeira vez desde o início da pandemia que o contingente apresentou um aumento.
Contudo, o nível de ocupação segue baixo. Em novembro, o percentual foi de 49,6%. “A população ocupada se aproximou do patamar de março, apesar da taxa de desocupação maior. Isso porque temos mais pessoas pressionando o mercado de trabalho em busca de uma ocupação. Esses números refletem a flexibilização das medidas de distanciamento social, com mais pessoas mês a mês deixando de estar fora da força de trabalho”, disse a pesquisadora.
Os dados indicam que houve um crescimento no número de horas efetivamente trabalhadas, passando de 35,7 horas em outubro para 36,1 horas em novembro.
Além disso, o IBGE aponta que 94,8% da população ocupada não estava afastada do trabalho que tinha. Em outubro, o índice era de 94,4%.
Os que trabalhavam de forma remota representavam um percentual de 9,1% (7,3 milhões de pessoas) da população ocupada. Em outubro, essa fatia era de 9,6% (7,6 milhões de pessoas).
