‘Nós somos os grandes vilões da pandemia’

A afirmação é de um dos comerciantes de Itanhaém que se sente discriminado com as medidas restritivas ao setor

Comerciantes afirmam que se sentem como vilões com as medidas mais restritivas impostas pelo Governo do Estado, em vigor desde o último dia 15. Pequenos e médios empresários, que não fazem parte dos chamados serviços essenciais, reclamam que são os mais prejudicados nesta fase emergencial da pandemia.

“Me sinto discriminado, somos os grandes vilões da pandemia”. O desabafo é do comerciante Luiz Henrique Silveira da Costa, que possui uma loja de artesanato e decoração há 23 anos na avenida Rui Barbosa, no centro do município.

Diz ainda que o seu setor de comércio não gera aglomeração, pois atende a um público “mais consciente e específico”.

“O ideal seria uma atitude mais efetiva e de precaução junto à população nos bairros da Cidade”, frisa. Cita o exemplo da dengue, onde os agentes de saúde passam nas casas para orientar a população.

Também para a comerciante Maria Amâncio, proprietária de duas lojas de roupas na região central, a situação está cada vez pior.

“Sou comerciante há mais de 35 anos e nunca passei por uma fase tão difícil. Temos que honrar nossos compromissos e pagar os fornecedores e os funcionários. Não podemos fechar tudo”, desabafa.

Ela tem nove funcionários em seus dois comércios, na região central, sendo que em um deles paga aluguel no valor de R$ 9 mil mensais. Na vitrine da loja estão os avisos “Delivery” ou “Pedidos por WhatsApp”, mas ela explica que para trabalhar com delivery precisa ter uma estrutura para a entrega da mercadoria.

PREOCUPAÇÃO

O presidente da Associação Comercial de Itanhaém, Roberto Campos, reconhece que as medidas mais restritivas ao comércio afetam de forma preocupante a maioria dos estabelecimentos comerciais.

Na sua opinião, as ações em geral não tem efetividade, pois o próprio governo, que é responsável por fiscalizar, acaba punindo a maioria dos comerciantes, enquanto outros serviços funcionam e geram aglomerações.

“Entendemos o problema sério que acontece na área da Saúde e a dificuldade com a ocupação de leitos nas UTIs lotadas. Porém, as medidas precisam ser tomadas de forma mais efetiva para dar resultados”.

Para ele, o setor do comércio que sofre maior impacto é o Turismo, como os hotéis, pousadas, bares e restaurantes, além dos prestadores de serviços.

“A cadeia produtiva e econômica quando ataca um segmento acaba gerando reflexo a todos. Se não funcionam os hotéis, bares e restaurantes e há um baixo número de turistas na Cidade, todos os outros segmentos acabam sofrendo com isso”, esclarece.

Uma das saídas, segundo Campos, é a conscientização de todos sobre o problema, para que cada um faça a sua parte. “O governo federal também precisa investir mais na vacinação, no tratamento e no aumento de vagas nos hospitais”, alerta.

Sobre um possível lockdown nas cidades da região, ele espera que não ocorra e que, até o final do mês, a situação melhore. “Nossa grande preocupação é com ações que possam fugir da realidade”, observa.

A entidade vai realizar uma campanha de arrecadação de alimentos prevista para este mês. A distribuição dos alimentos às famílias carentes ficará a cargo da Secretaria de Assistência Social do município.

Segundo a Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), Itanhaém conta com 12.632 estabelecimentos comerciais. O site da Jucesp aponta que 189 empresas encerraram suas atividades em Itanhaém, até dezembro de 2020.

TRIBUTOS

O secretário municipal da Fazenda, Ronnie Alexandre Aleluia, que esteve reunido com o prefeito Tiago Cervantes, na sexta-feira (19), afirma que não há qualquer previsão para ações no sentido de prorrogar ou isentar o pagamento de tributos, devido à arrecadação ter caído muito em virtude da pandemia.

“O momento pode ocasionar corte de gastos, já que perdemos receitas. Temos dificuldade em arrecadar até para a folha de pagamento”, frisa. E em relação ao governo federal, que não há nenhuma previsão sobre novos repasses, como no ano passado.