‘Itanhaém é palco de inspiração para muitos artistas’, diz artista plástico

Ronaldo Lopes é autor de várias obras em Itanhaém

Uma das estátuas mais conhecidas feita por Lopes é a do pescador "Zeca Poitena", na Boca da Barra, em Itanhaém

Uma das estátuas mais conhecidas feita por Lopes é a do pescador "Zeca Poitena", na Boca da Barra, em Itanhaém | Nair Bueno/Diário do Litoral

“Itanhaém é palco de inspiração para muitos artistas”. A afirmação é do artista plástico Ronaldo Lopes, de 67 anos, mais conhecido como Bico, morador no município há mais de 50 anos. Ele é autor de diversas obras e painéis, além de ter restaurado várias estátuas.   

Entre os trabalhos, destacam-se as estátuas do pescador de Itanhaém “Paulo Pica Pau”, com o remo e em seu barco de pesca e a do também pescador “Zeca Poitena”, com a sua rede de pesca, no calçadão da orla na Boca da Barra, no centro. 

As duas estátuas, inauguradas no início de 2015, são feitas de fibra, em parceria com a prefeitura. Ambas já foram restauradas, após ações de vandalismo. As placas de identificação, segundo o artista, também foram levadas por vândalos.     

“A ideia de fazer as duas estátuas surgiu para prestar uma homenagem aos caiçaras e aos pescadores do município. São cenários ao ar livre, ligados à arte”, destaca. 

Outra obra restaurada por Lopes, em fevereiro de 2019, é a da Mulheres de Areia, na praia dos Pescadores, um dos pontos mais visitados. A estátua foi esculpida pelo artista e ator Serafim Gonzalez, em homenagem à primeira versão da novela “Mulheres de Areia”, gravada na década de 70, pela extinta TV Tupi.      

Lopes também é o autor das estátuas do maestro Totó Mendes, de Itanhaém, na galeria de mesmo nome, no centro, e a de Harry Forssell, pai do ex-prefeito João Carlos Forsselll, na entrada da piscina municipal, na Secretaria da Educação do município.

Presépio 

Mais uma obra do artista é o Presépio de Areia, com personagens esculpidos e inspirados no nascimento de Jesus, com peças feitas a base de areia da praia e 10% de cimento, no centro de Itanhaém. 

“É uma técnica mais apurada, com as estátuas dos três Reis Magos, Virgem Maria, José e o Menino Jesus, uma obra de arte caiçara”, explica Lopes. O presépio é feito todos os anos, desde 2006, também em parceria com a prefeitura.

Outras peças do artista são as hashtags “Itanhaém”, na Boca da Barra e na Praça da Gruta, na Praia do Sonho, inauguradas pela Administração em dezembro de 2020. 

Lopes conta que a sua inspiração para a arte começou ainda na infância, aos 11 anos, quando a sua família veio de Santos para morar em Itanhaém.

Aluno do renomado artista e pintor Bernardino de Souza Pereira, de Itanhaém, Lopes afirma que aprendeu a técnica de pintura com o pintor. 

“Trabalho com pinturas, esculturas, cenários e decoração. Moradores da cidade se identificam com a maioria dos meus trabalhos”, conta. 

Lopes também tem uma forte identidade com o pintor Benedito Calixto, nascido em Itanhaém. Ele já retratou dois locais onde foram cenários para a obra de Calixto – a Boca da Barra e a Praia dos Pescadores. “Nasci no mês de outubro e no ano de 1953, há exatos cem anos depois de Calixto”, frisa.

Benedito Calixto, que nasceu em Itanhaém em 14 de outubro de 1853, foi pintor, desenhista, fotógrafo, historiador, decorador, cartografo e astrônomo amador. É considerado um dos maiores pintores brasileiros do início do século XX.