Santista quer levar leitor a viagem com livro ‘Desnudo Mar Selvagem’

Obra de Ricardo Rutigliano Roque dá voz à natureza e apresenta personagens não tão conhecidos a leitores caiçaras

Um romance que se parece muito com uma colagem como a de Max Ernest’, o famoso escultor, poeta, pintor e artista alemão que é considerado como um dos pioneiros do surrealismo. É assim que o escritor Ricardo Rutigliano Roque descreve seu mais recente livro na contracapa. Batizada de ‘Desnudo Mar Selvagem’, a publicação, que já está nas livrarias, dá voz a personagens diferentes dos quais o público está acostumado a ouvir enquanto leva o leitor por uma viagem que se inicia pela Itália e parte mundo afora.

Lançado recentemente após ter sido um dos contemplados no 8º Concurso de Apoio a Projetos Culturais Independentes em Santos, o livro de Ricardo Roque acompanha, inicialmente, o italiano Vicenzo, mas seu autor rapidamente passa a introduzir outras entidades que acompanham a narrativa.

“Acho que é mais fácil começar a definir o livro ao falar o que ele não é. Quero dizer, não é uma hipérbole de algum assunto, mas é uma fábula entre animais onde se tem a Manjubinha, tem o Guaru do canal de Saturno de Brito falando, você tem o Maria Farinha conversando. Então você tem um minimalismo que te remete a uma delicadeza com a natureza. Isso é uma das coisas que tem aqui”, afirma.

No prefácio, redigido por Marcelo Ariel, ‘Desnudo Mar Selvagem’ é descrito como uma obra que realiza um ‘mix’ provindo do caos da rede de computadores, ou seja, da internet, junto do caos da memória humana. Se o livro é, ou não, o romance caiçara pós-moderno definitivo, a resposta ficará a cargo de leitores e estudiosos.

“O personagem central é um libertário, é um advogado que vem da Itália e então para colocar [o lirismo] na boca do personagem, do protagonista, ficaria meio dissonante. Então eu procurei dar voz e epigrafei em cada um desses textos a voz epigrafada da natureza dando um mote para que isso inspire a pessoa a criar um texto próprio”.

“A orelha [do livro] dá um caminho também poético da minha caminhada aqui em comunidades de literatura, depois eu dou toda a dica do que vem a ser o livro numa resenha por conta de essa coisa de se querer saber o roteiro, igual a um filme, daquela ansiedade. Então eu já entrego tudo que é para pessoa relaxar e saborear o livro num ritmo que ela precisa, sem ansiedade”, explica Ricardo.

Logo em seu primeiro capítulo, o leitor é recebido com a abertura de um misterioso cofre que há muitos anos serviu de grande objeto de decoração em uma residência. Batizado de ‘parto’ as linhas iniciais de ‘Desnudo Mar Selvagem’ apresentam cartas escritas e entregues há longo tempo, mas totalmente desconhecidas aos bisnetos de seu autor original.

“Eu dou muita voz aos elementos naturais do ambiente, então o céu fala, o mar fala, porque o escritor tem como função dar voz a quem não tem, então dei voz à natureza, aos bichos e fui construindo isso aos poucos. Todos temos um livro dentro de nós e precisamos abri-lo”.

Fruto de experiências adquiridas durante viagens, conversas com escritores, leitores jovens e mais velhos, o livro foi lançado em 2019 em formato de e-book e físico pela Amazon, no portal da Livraria AsaBeça e outros sites. Aqui em Santos, é possível conferir a publicação de perto na Livraria Realejo, onde está à venda por R$ 45,00.