O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho 02 e um dos principais conselheiros do presidente, deu aval à mudança de discurso de Jair Bolsonaro (PL) a respeito da vacinação contra a Covid-19.
Outrora crítico contundente da imunização, o chefe do Executivo tem moderado o tom após apelos de aliados.
O entorno do presidente constatou que a rejeição a Bolsonaro tem relação direta com seus posicionamentos a respeito da vacina – cuja eficácia já está amplamente comprovada na comunidade científica.
Além disso, como disse um interlocutor de Bolsonaro, trata-se de uma questão matemática: mais de 70% da população brasileira já se vacinou.
Segundo auxiliares do presidente, levantamentos indicando o desgaste foram apresentados ao clã, inclusive a Carlos Bolsonaro, que será responsável pelas redes sociais do pai durante a campanha.
O vereador, que é considerado um dos mais inflamados no entorno do presidente, não apenas entendeu o que as pesquisas e as análises dos aliados apontavam como deu aval à correção de rumo nas declarações de Bolsonaro.
Assim como o chefe do Executivo, ele teve postura negacionista durante a pandemia da Covid-19, defendeu o uso de medicamentos sem eficácia comprovada e não há relatos de que tenha se vacinado.
Já os irmãos Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Eduardo Bolsonaro (União Brasil-SP) se imunizaram. A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, também tomou doses.
Mais recentemente, a mudança no discurso do governo e de Carlos tem sido no sentido de não questionar mais eficácia da vacina, mas ressaltar que as doses foram compradas pelo governo federal e dizer que não há obrigatoriedade.
O vereador chegou a apresentar um projeto contra o passaporte da vacina na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, mas foi derrotado. O decreto do prefeito Eduardo Paes (PSD), que ele queria derrubar, prevê a comprovação de vacinação para entrada em diversos lugares, como locais turísticos.
Nas redes sociais, Carlos não criticou a vacina neste ano. Em uma publicação recente, de um vídeo de uma fala sua na Câmara Municipal, ele ataca o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ressalta que as vacinas contra a Covid-19 foram aquisição do governo federal.
“Eu gostaria de perguntar a alguns seres humanos que me antecederam [na sessão] quem foi que comprou 400 milhões de doses de vacina para o Brasil? Foi o ex-presidiário Luiz Inácio Lula da Silva ou foi o presidente Jair Bolsonaro?”, disse o vereador.
“Quem foi que destinou os bilhões de reais para estados e municípios combaterem a Covid ao longo dessa pandemia? Como é que uma pessoa pega e tem a cara de pau de dizer que o presidente Bolsonaro é isso e aquilo o tempo inteiro, com provocação e sem nenhuma objetividade, presidente?”, completou.
Em janeiro do ano passado, Carlos compartilhava em seu canal de Telegram vídeo em que o presidente falava para apoiadores não desistirem do chamado “tratamento precoce” e comparava a eficácia da Coronavac a jogar uma moedinha para cima.
A vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan, vinculado ao Governo de São Paulo, foi a primeira aplicada no Brasil. O governador João Doria (PSDB-SP), pré-candidato à Presidência da República, é um dos principais alvos do bolsonarismo.
Na busca pela reeleição de Bolsonaro, Carlos terá papel de destaque e controlará as redes sociais do pai, que hoje está em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, atrás de Lula.
