Cubatão 73 anos: Antes passagem, hoje maior Polo Industrial do País

Sendo a ligação direta entre o Porto e o Planalto, Cubatão está ligada diretamente ao desenvolvimento da Região

O Plano Diretor é um instrumento estabelecido na Constituição Federal de 1988, regulamentado pelo Estatuto da Cidade

O Plano Diretor é um instrumento estabelecido na Constituição Federal de 1988, regulamentado pelo Estatuto da Cidade

Localizada no sopé da Serra do Mar, de onde jesuítas, comerciantes, tropeiros, autoridades do reino tomavam fôlego para atingir o Planalto, Cubatão tornou-se essencialmente um lugar de passagem, obtendo assim um papel de destaque no cenário da Baixada Santista, do Estado de São Paulo e do Brasil. O Porto Geral de Cubatão teve a sua origem na primeira metade do século XVIII. Ao seu lado desenvolveu-se um povoado, por muito tempo conhecido por essa denominação. Era ali que as cargas e mercadorias trocavam as balsas que vinham do porto pelo lombo das mulas que formavam as tropas que subiam a Serra do Mar.

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Por pouco tempo (1833-1841) o povoado esteve elevado à categoria de município, período após o qual foi anexado a Santos, mantendo-se praticamente estagnado até a década de 1920, quando surgiram as obras da Usina da Light e da Companhia Santista de Papel. Após 1940, houve a construção da Via Anchieta, culminando com a implantação da Refinaria Presidente Bernardes, inaugurada em 1955, e da Companhia Siderúrgica Paulista, a Cosipa (atual Usiminas), em 1959. A emancipação político-administrativa da cidade ocorreu em 9 de abril de 1949.

Com o passar dos anos, a Cubatão foi se transformando, ganhando indústrias, fruto do desenvolvimento industrial paulistano e paulista, bem como dos investimentos federais.

Nenhum plano orientou a instalação do parque industrial cubatense, porém. As fábricas foram se localizando ao sabor das vantagens imobiliárias ou pré-requisitos necessários às suas operações (perto ou longe de um núcleo urbano, a favor ou contra as correntes de vento, perto ou longe de cursos d’água, etc) e, no decorrer dos anos, começaram a surgir sérios problemas ambientais, com a poluição do ar, água e solo do Município.

Dezoito das atuais 24 indústrias que formam o Pólo de Cubatão foram implantadas no período de 1955 a 1975. Duas dessas indústrias, Ultrafértil e Cosipa, possuem terminais portuários, onde recebem matérias-primas e embarcam seus produtos acabados. Além da geração de empregos, a concentração industrial de Cubatão trouxe resultados importantes do ponto de vista financeiro e do fortalecimento da capacidade tributária municipal. A base de sustentação do Município é, portanto, a arrecadação do ICMS, ficando o IPTU, o ISS e outros tributos diretos em segundo plano, se comparado com o quadro dos demais municípios da Baixada Santista. 

Município é exemplo mundial de recuperação ambiental

Cubatão já foi conhecida mundialmente como “Vale da Morte”, sendo apontada pela ONU como o município mais poluído do mundo. Hoje, esta é uma realidade diferente. O Município é visto como exemplo de planejamento e consciência socioambiental.

Na década de 50, deu-se início a um processo acelerado de industrialização do Brasil e Cubatão, até então, era um paraíso verde. Cercada pela Mata Atlântica, a cidade era rica em recursos naturais, mas estava estrategicamente localizada entre a Capital e do Porto de Santos.

Dez anos depois, Cubatão contava com 18 grandes indústrias. O intenso volume em que trabalhavam começou a gerar consequências catastróficas visíveis e preocupantes: o ar da Cidade na época era denso, possuía cheiro e cor. 30 mil toneladas de poluentes eram lançadas por mês no ar, peixes e pássaros sumiram da poluição de Cubatão, mas o estado só começou a intervir quando os danos à saúde da população começaram a demonstrar números alarmantes. Crianças nasciam mortas, outras apresentavam graves problemas neurológicos e anencefalia e Cubatão era líder em casos de problemas respiratórios no país.

O Estado fez um mapeamento e um estudo das causas da poluição na cidade e, com isso, a partir de 1983 foi implantado um plano de recuperação ambiental. Em 1989, as 320 fontes poluentes que existiam na época já estavam controladas. A volta do guará-vermelho, pássaro típico da região, foi o marco de que a qualidade de vida voltava à cidade. Em 1992, Cubatão foi apontada pela ONU como Símbolo de Recuperação Ambiental, tendo 98% do nível de poluentes controlados.