Artigo – Escolas e sociedade precisam entender o valor dos professores

Professor (Divulgação/Freepik)

Professor (Divulgação/Freepik) | Divulgação/Freepik

Em 15 de outubro de 1827, o Imperador Dom Pedro I criou no País uma Lei Imperial sobre o Ensino Elementar no Brasil, vigente à época e conhecido também como Escola de Primeiras Letras. Com essa Lei, todas as cidades deveriam, obrigatoriamente ter as Escolas de Primeiro Grau, prevendo também a contratação de professores e o plano de aulas.

Já em 1947, alguns professores em São Paulo organizaram uma celebração aos profissionais da área, mas também aproveitaram a ocasião para cobrar por melhorias nas condições de trabalho, incluindo a sugestão de estabelecer essa data como um dia de descanso para os professores. Foi em 1963, no governo de João Goulart, que um decreto federal criou o Dia do Professor em todo o País.

Esses acontecimentos, ainda que simbólicos, mostram a potência da organização de professores que, ao longo dos anos, lutaram por mais reconhecimento e melhores condições para esses profissionais que, como sabemos, nem sempre recebem o que merecem e precisam, em termos de remuneração e principalmente respeito da sociedade. No ano passado, o Instituto Península elaborou uma pesquisa entre professores de escolas públicas e privadas e, para 77% deles, a profissão ainda é desvalorizada. 74% disseram que os professores não são respeitados no Brasil.

Passamos pela provável maior crise sanitária, social e política do século e, em meio à pandemia, a importância do professor – e da escola – esteve mais do que evidenciada. Por alguns períodos, os familiares viram com os próprios olhos o que é estar junto de crianças e jovens e acompanhar os processos de aprendizagens em variados níveis de ensino. Mas, será que foi o suficiente para que entendêssemos, enfim, do quanto a sociedade depende desses profissionais que dedicam a vida para uma das coisas mais valiosas ao desenvolvimento de um país, como é a educação? Como educadora, penso que, infelizmente, ainda não.

Nossa luta por melhorias e mais reconhecimento dos professores precisa ser coesa e, principalmente, constante. Enquanto sociedade, precisamos parar e refletir sobre como tratamos os professores dos nossos filhos, mas também como cobramos medidas dos governos e organizamos as demandas.

Já à escola cabe também reordenar algumas tarefas, acolher esse professor que, seja por reflexo da pandemia ou não, vem sistematicamente se esgotando cada vez mais. Hoje em dia, com tantas tecnologias a nosso favor, é possível retirar do escopo do professor diversas tarefas e deixar para ele mais tempo livre para pensar em novas dinâmicas de aulas, passar mais tempo acolhendo os alunos, viabilizar a tão importante escuta ativa e educação humanizada que considero ser o que de melhor podemos oferecer a nossos jovens e crianças.

É vital que as redes de ensino busquem ferramentas que facilitem a atividade operacional do professor e trabalhem também com o compartilhamento de produções pedagógicas e boas práticas para melhorar seu dia a dia. Acreditamos que esse intercâmbio de conhecimento pode nos trazer grandes saltos e, juntos, aprendermos ainda mais.

Acredito que ações desse tipo só têm a somar para o melhor desempenho de nossos professores e, por consequência, de nossos estudantes também. A Educação clama, há tempos, por mais atenção. Precisamos de alunos empenhados se quisermos resultados. Especialmente nessa época do ano, com vestibular e Enem que estão logo ali. Mas, para isso, há muito esforço envolvido. A todos os professores, desejo que suas energias sejam diariamente renovadas. Tenho certeza que devemos nos orgulhar e celebrar cada conquista e seguir na luta pela valorização e o tão merecido reconhecimento .

* Regina Alves é pedagoga e fundou, em 1984, a Rede Decisão, grupo educacional brasileiro responsável pela gestão pedagógica de 16 escolas privadas de educação básica em São Paulo e Minas Gerais, com 8 mil alunos.