Cacá Diegues vai rodar filme sobre Hebe Camargo

A apresentadora cuja vida se confunde com a história da televisão brasileira morreu no ano passado

A vida e a carreira da maior dama da televisão brasileira ganhará versão no cinema. Hebe Camargo morreu no dia 29 de setembro de 2012, aos 83 anos, de câncer. O longa será dirigido pelo consagrado Cacá Diegues, mas ainda não há previsão para o início das gravações.

A produção do filme deve iniciar em breve a formação do elenco. Ainda não há indicações nem mesmo para o papel principal.

O diretor Carlos Diegues tem em seu currículo filmes como ‘Tieta do Agreste’, ‘Orfeu’ e ‘Deus é Brasileiro’.

Hebe Camargo morreu na madrugada de sábado do dia 29 de setembro de 2012, em casa, em São Paulo, após sofrer uma parada cardíaca. A apresentadora lutava contra um câncer no peritônio, diagnosticado em janeiro 2010.

A vida de Hebe Camargo

Hebe Camargo nasceu na cidade de Taubaté, no interior de São Paulo, no dia 8 de março de 1929. Cursou somente até o quarto ano primário e um de seus primeiros empregos foi de arrumadeira, na casa de um parente rico.

Aos 11 anos, participava de programas de calouros em emissoras de rádio para ajudar a sustentar a família. Em 1943, formou com a irmã Stella a dupla musical Rosalinda e Florisbela.

Seguiu na carreira de cantora com apresentações de sambas e boleros em boates, até que abandonou a música para se dedicar ao rádio e à TV. Estava no grupo que foi ao porto de Santos, em São Paulo, para buscar os equipamentos de televisão para a formação da primeira rede brasileira, a TV Tupi. Também foi convidada por Assis Chateaubriand para participar da primeira transmissão ao vivo da TV brasileira, no bairro do Sumaré, em São Paulo, em 1950.

Estreou na TV em 1955, no primeiro programa feminino da TV brasileira, “O Mundo é das Mulheres”, da emissora de TV carioca, na qual chegou a apresentar cinco episódios por semana.

Em 10 de abril de 1966 foi ao ar, pela primeira vez, o programa dominical de Hebe pela TV Record. Passou por quase todas as emissoras de TV do Brasil, entre elas a Record e a Bandeirantes, nas décadas de 1970 e 1980.

Em 1986, foi para o SBT, emissora na qual apresentou três programas: “Hebe”; “Hebe Por Elas”; e “Fora do Ar”. Em 1995, gravou um CD com seus maiores sucessos pela EMI. Em 1999, voltou a lançar outro CD. Além da carreira de apresentadora e cantora, atuou em alguns filmes e foi convidada especial de novelas e programas humorísticos.

Em dezembro de 2010, Hebe deixou o SBT, depois de 24 anos. Dias antes de anunciar sua saída da emissora de Silvio Santos, Hebe teve a permissão do canal para gravar com o apresentador Fausto Silva o “Domingão do Faustão”, da Rede Globo, onde recebeu uma homenagem.

Hebe fechou um contrato para apresentar um programa semanal na RedeTV!, onde comandou todas as terças – desde o dia 15 de março de 2011 – uma atração nos mesmos moldes dos tempos no SBT.

Sobre Cacá Diegues

Carlos Diegues nasceu em Maceió, Alagoas, em 19 de maio de 1940. Quando ele tinha 6 anos de idade, sua família mudou-se para o Rio de Janeiro e instalou-se em Botafogo, bairro onde passa toda sua infância e adolescência.

Ele estudou no Colégio Santo Inácio, dirigido por jesuítas, até prestar vestibular para a PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio, onde fez o curso de Direito, em uma época em que não havia, no Brasil, escolas de cinema.

Na PUC, como presidente do Diretório Estudantil, fundou um cineclube e começou suas atividades de cineasta amador, na companhia de David Neves, Arnaldo Jabor, Paulo Perdigão e outros.

Ainda estudante, dirigiu o jornal ‘O Metropolitano’, órgão oficial da UME (União Metropolitana de Estudantes) e junta-se ao CPC (Centro Popular de Cultura) da UNE (União Nacional dos Estudantes).

Tanto o grupo da PUC quanto o de ‘O Metropolitano’ tornaram-se, a partir do final da década de 50, um dos núcleos de fundação do Cinema Novo, do qual Diegues era um dos líderes, junto com Glauber Rocha, Leon Hirszman, Paulo Cesar Saraceni, Joaquim Pedro de Andrade e outros.

Antes desse período, em colaboração com David Neves e Affonso Beato, ele realiza três curtas-metragens, entre os quais ‘Domingo’, um dos filmes pioneiros do movimento.

No CPC, Diegues dirigiu seu primeiro filme profissional, em 35mm, ‘Escola de Samba Alegria de Viver’, episódio do longa-metragem ‘Cinco Vezes Favela’ (os outros episódios são dirigidos por Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, Marcos Farias e Miguel Borges).

Seus três primeiros longas-metragens – ‘Ganga Zumba’ (1964), ‘A Grande Cidade’ (1966) e ‘Os Herdeiros’ (1969) – são filmes típicos daquele período voluntarista e cheio de sonhos, inspirados em utopias para o cinema, para o Brasil e para a própria humanidade. Polemista inquieto, ele continuou a trabalhar como jornalista e a escrever críticas, ensaios e manifestos cinematográficos, em diferentes publicações, no Brasil e no exterior.

Com participação na resistência intelectual e política à ditadura militar, Diegues deixou o Brasil em 1969, vivendo primeiro na Itália e depois na França, na companhia da cantora Nara Leão, então sua esposa.

De volta ao Brasil, Diegues realizou mais dois filmes na fase negra da ditadura, ‘Quando o Carnaval Chegar’ (1972) e ‘Joanna Francesa’ (1973). Em 1976, dirigiu ‘Xica da Silva’, seu maior sucesso popular no país, um filme que se aproveita da abertura política para anunciar, em sua exuberância e otimismo, os últimos dias do autoritarismo e a volta da alegria democrática.

Com o fim da ditadura e o surgimento de novos cineastas no Brasil, o Cinema Novo perdeu o sentido de ser, e a polêmica cultural ganhou novos contornos, ideias novas. Diegues inventa, então, em entrevista ao jornal ‘O Estado de S. Paulo’, a expressão ‘patrulhas ideológicas’, para denunciar aqueles que perseguiam as novas ideias em nome de velhas teorias. O termo torna-se clássico e até hoje é usado nas discussões políticas e culturais. Fiel amigo de Glauber Rocha até a morte deste, em 1981, Diegues forma com ele uma frente polêmica.

Foi nesse período de redemocratização do país e renovação do cinema brasileiro que ele realizou ‘Chuvas de Verão’ (1978) e ‘Bye Bye Brasil’ (1980), dois de seus maiores sucessos.

Já conhecido no mundo inteiro, com filmes premiados em festivais e exibidos comercialmente em todos os continentes, Diegues foi convidado para ser membro do júri no Festival de Cannes, em 1981 – honra que, antes dele, só outro brasileiro havia experimentado, o poeta Vinicius de Moraes (depois dessa data, também Jorge Amado, Sonia Braga e Hector Babenco serviram como jurados naquele festival).

Em 1984, ele realizou o épico ‘Quilombo’, uma produção internacional comandada pela Gaumont francesa, um velho sonho de seu realizador.

Nessa época, Diegues começou a discutir a viabilidade da Embrafilme, reconhecendo seu papel histórico positivo, mas pregando uma mudança de modelo imediata, que fosse capaz de acompanhar a abertura da economia brasileira e o fim do modelo estatista. Mais uma vez, ele se encontra no centro de uma polêmica que vai desaguar na verdadeira catástrofe que foi o governo de Fernando Collor de Mello para a cultura e, especialmente, para o cinema brasileiro.

Antes da ascensão de Collor, mas já na fase crítica da economia cinematográfica do país, Cacá Diegues realizou dois filmes baratos, de transição e crise, ‘Um Trem para as Estrelas’ (1987) e ‘Dias Melhores Virão’ (1989). Com o advento do novo governo, a produção anual de cinema no Brasil caiu de cerca de 100 filmes (no final dos anos 1970) para três ou quatro (no começo dos 90).

Tentando sobreviver ao desastre ou, como ele mesmo diz, “para não ficar louco”, Diegues realizou, em parceria com a TV Cultura, ‘Veja esta Canção’ (1994), marco fundador nas relações entre cinema e televisão no Brasil. Quando a nova Lei do Audiovisual foi promulgada, ele foi um dos poucos cineastas veteranos em atividade, trabalhando com comerciais, documentários, videoclipes.

‘Tieta do Agreste’ (1996), ‘Orfeu’ (1999) e ‘Deus é Brasileiro’ (2002), adaptados de grandes obras da literatura e do teatro nacionais, figuram entre os filmes brasileiros de maior público nesta fase de ‘retomada’ da produção, propiciada pela Lei do Audiovisual.

Em 2006, realizou ‘O Maior Amor do Mundo’, com roteiro original escrito apenas por Diegues, fato incomum em sua carreira. O filme marca o reencontro com alguns dos colaboradores mais próximos do cineasta. Nesse mesmo ano lançou o show e o documentário ‘Nenhum motivo explica a guerra’ em DVD, que conta a história do grupo cultural AfroReggae – o documentário dirigido em parceria com o Rafael Dragaud.

A maioria dos 18 filmes de Diegues foi selecionada por grandes festivais internacionais, como Cannes, Veneza, Berlim, Nova York e Toronto, e exibida comercialmente na Europa, Estados Unidos e América Latina – o que o torna um dos realizadores brasileiros mais conhecidos em todo o mundo.

Objetos de estudos e teses publicados no Brasil e em outros países, seus filmes e sua carreira são citados em todas as principais enciclopédias de cinema. A França lhe concedeu o título da Ordem das Artes e das Letras (l’Ordre des Arts et des Lettres), da qual já é hoje Oficial (Officier). Também é membro da Cinemateca Francesa.

Em julho de 2003, Carlos Diegues foi nomeado membro do Conselho Superior de Integração Social da Universidade Estácio de Sá. O governo brasileiro também lhe concedeu o título de Comendador da Ordem de Mérito Cultural e a Medalha da Ordem de Rio Branco, a mais alta do país. A Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro lhe outorgou também a Medalha Pedro Ernesto.

Pai de quatro filhos (os dois primeiros de seu casamento com Nara Leão), Diegues é casado, desde 1981, com a produtora de cinema Renata Almeida Magalhães. Tem três netos: José Pedro Diegues Bial (2002), de sua filha Isabel, Monah André Diegues (2004) e Mateo André Diegues (2005), filhos de seu filho Francisco. (Fonte: site oficial de Cacá Diegues: www.carlosdiegues.com.br).