Um estudo realizado anualmente pela empresa de consultoria internacional PwC e divulgado recentemente no Fórum Econômico Mundial de Davos, mostrou que para 39% dos CEOS no mundo suas empresas não serão mais economicamente viáveis caso não haja mudanças nos próximos dez anos.
Faça parte do grupo do Diário no WhatsApp e Telegram.
Mantenha-se bem informado.
No Brasil o cenário é ainda mais assustador. Com cinco anos em operação, cerca de metade das empresas no Brasil já encerraram as portas: uma taxa de sobrevivência de 47,5% no quinto ano de atividade das empresas observadas pelo IBGE.
Rogério Babler, diretor geral da mhconsult, uma empresa de consultoria em educação corporativa, que esse ano completa 30 anos de operação, comenta que o sucesso para a longevidade de qualquer empresa se dá a partir de uma profunda imersão, através da revisão de seus valores, de seu propósito e foco na disciplina para execução da estratégia.
“Eu acredito que uma empresa precisa expandir sua “autoconsciência”, assim como os indivíduos a buscam em diferentes fases da vida. Os valores são muito mais do que uma ideologia, ou um elemento de governança. Eles necessitam refletir a maneira como a empresa “respira”, expressando consistência e legitimidade em tudo que faz. Assim, quando os colaboradores se conectam com os valores, eles percebem significado em seu trabalho, com resultados que poderão ser efetivamente observados pelas lideranças em ações no dia a dia”, comenta Babler.
“E mais, você percebe a solidez dos valores principalmente nos momentos de crise, pois são nesses momentos que eles são mais recorridos para as tomadas de decisões”. Nossos valores foram construídos em 1993 e, na minha opinião, continuam muito atuais. Otimismo, empatia, integridade, e confiança, entre outros, nos ajudaram a superar muitos desafios durante nossa história.
“Outro valor, como a inquietude pelo autodesenvolvimento, nos impulsiona para busca disciplinada por novidades por meio da aplicação das melhores metodologias na educação corporativa”, diz Babler.
LUCRATIVIDADE.
Rogério ainda destaca a importância de as empresas definirem um propósito, mas ressalta que lucro pode ser uma meta, mas não pode ser visto como propósito. “Parece clichê, mas quando o lucro se torna um propósito, você perde as pessoas, pois perde o sentido para elas. No longo prazo não se sustenta. Entretanto, uma empresa que não lucra, também não contribui para o crescimento e para o desenvolvimento social. Ou seja, o lucro é importante, mas é insuficiente. Ambos, lucro e propósito são necessários para a longevidade.”
Outro comportamento ideal é não praticar a cultura do super-herói, especialmente no que diz respeito às lideranças. “Não é possível que apenas um indivíduo se apresente como o líder visionário que vai resolver todos os problemas, ou seja, a cultura de confiança e da colaboração deve ser incentivada para que todos os profissionais envolvidos com a empresa se sintam seguros para se expressar, dar o melhor de si e inclusive falhar”, explica Babler.
Outro ponto fundamental é o pensamento estratégico, porém, o profissional ainda alerta para a importância de um outro olhar sob esse aspecto. “Precisamos incentivar as lideranças a mudar o mindset de ‘strategic planning’ para ‘strategic doing’.
Com cenários cada vez mais voláteis e em constante evolução, é necessário fomentar também uma cultura de testar rápido e falhar rápido, tudo com o menor custo possível.
Não há mais espaço para esperar maturidade de um produto e serviço para depois lançá-lo. Visão de futuro e ousadia com os pés no chão estão presentes em nosso pensamento estratégico.”
DISCIPLINA.
Há 15 anos na empresa, Rogério Babler explica que um dos pontos chave no sucesso da mhconsult inclui o trabalho duro, mas também a capacidade de saber operar em várias disciplinas, como vendas, finanças, operações, marketing, TI etc. Essa profundidade ajuda e evitar decisões viscerais.
“A intuição é uma competência fundamental no mundo dos negócios, assim como a capacidade de análise de dados. Entretanto, tendências ou modismos no mundo do empreendedorismo são cada vez mais comuns e geram um efeito manada que muitas vezes não resulta em um ganho real, já que todos caminham para o mesmo lugar. Isso não é intuição, mas sim uma decisão visceral, o que só nos tira do foco”.
Dessa forma, Rogério comenta que não existem fórmulas mágicas que resolvam os problemas de uma empresa, muito menos práticas que possam ser julgadas como boas ou ruins. “Ou seja, o que pode determinar ou não o sucesso e a longevidade de uma empresa é a prática deliberada pela ‘consciência organizacional’, isso é, a disciplina na cultura orientada pelos propósitos e valores sólidos, com foco na ação disciplinada por meio de estratégias dinâmicas, pois assim a história poderá ser contada através de outras gerações”.
