Governo coloca sigilo em visitas a Lula no Palácio da Alvorada

GSI alegou que o pedido de registros de acessos não poderia ser aceito porque eles 'possuem classificação sigilosa no grau reservado' desde o dia da posse

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi incluído na lista de 100 pessoas mais influentes de 2023 promovida pela revista americana Time

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) | Ricardo Stuckert

O governo federal colocou sigilo nos nomes de visitantes recebidos por Lula no Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente.

O GSI alegou que o pedido de registros de acessos não poderia ser aceito porque eles “possuem classificação sigilosa no grau reservado” desde o dia da posse.

O órgão lembra sobre a possibilidade de recurso, no prazo de 10 dias. Casos de sigilo têm sido pauta desde a campanha eleitoral, quando Lula prometeu “revogaço” dos sigilos de cem anos impostos pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre temas considerados sensíveis pelo governo federal.

SIGILO DE VISITAS A MICHELLE DERRUBADO

Este foi o primeiro dos sigilos de 100 anos impostos por Bolsonaro revertido pelo governo petista. A relação foi obtida pelo jornal O Estado de S. Paulo. Antes, a solicitação feita por cidadãos com base na LAI foi negada, sob a alegação de serem dados pessoais protegidos por questões de segurança.

Michelle recebeu 565 visitantes entre 2021 e 2022. Na lista, há pastor, cabeleireira, personal stylist, entre outros.

A liberação veio após a eleição de Lula, quando a CGU passou a revisar os sigilos. No caso dos visitantes da ex-primeira dama, o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) tomou a iniciativa e liberou os documentos antes de a Controladoria terminar a análise.

Governo Bolsonaro impôs sigilo para “temas sensíveis” desde 2021, quando o Palácio do Planalto vetou, por exemplo, a divulgação de dados sobre o cartão de vacinação do mandatário.

VISITAS A BOLSONARO NO PLANALTO

Também foram liberados dados sobre visitas a Bolsonaro no Palácio do Planalto, local de trabalho do presidente. As informações foram obtidas pela agência de dados Fiquem Sabendo e divulgadas pelo Estadão.

Carlos Bolsonaro (Republicanos), vereador na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, esteve pelo menos 141 horas no gabinete pessoal do pai entre outubro de 2019 e junho de 2021.

Jair Renan, conhecido como 04, somou 151 horas em visitas em dois anos.

Eduardo Bolsonaro (PL), deputado federal, esteve no Planalto ao menos quatro vezes, somando 7 horas.

Flávio Bolsonaro (PL), senador, não aparece nos registros de visitas ao gabinete pessoal do pai.