Time de handebol LGBTQIAP+ busca patrocínio para representar o Brasil em Portugal

Atletas do Bulls contam como enfrentaram preconceito e driblaram obstáculos

Esporte para todos, mas em especial para quem sofre preconceito por causa de orientação sexual e gênero essa é a missão do Bulls

Esporte para todos, mas em especial para quem sofre preconceito por causa de orientação sexual e gênero essa é a missão do Bulls | Divulgação

Esporte para todos, mas em especial para quem sofre preconceito por causa de orientação sexual e gênero – essa é a missão do Bulls, uma associação de diversidade esportiva que agora arregaça as mangas para conseguir patrocínio para que o Brasil esteja muito bem representado em dois dos maiores torneios internacionais de handebol para jovens, a Garci e a Maia Cup.

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O evento acontece nas cidades Maia e Estarreja em Portugal de cinco a 15 de julho. Recentemente, o time de handebol Bulls conquistou segundo lugar tanto nos Jogos da Diversidade em São Paulo quanto na Rio Pride Cup. A equipe de handebol LGBTQIAP+ do Bulls figura entre uma das poucas que existem no Brasil, são cerca de oito times, sendo que cinco estão em São Paulo.

PATROCÍNIO.
Para conseguir representar o Brasil, o time precisa de patrocínio. De acordo com o vice presidente  da Associação de Diversidade Esportiva, Maurício Lima, o Bulls “é uma casa que acolhe muitos LGBTQIAP+ que, em algum momento, deixaram de praticar o esporte por causa do preconceito.

Nós fazemos um trabalho incrível neste sentido e somos uma verdadeira família. Também promovemos ações sociais para ajudar a comunidade como entrega de alimentos; a ideia é que nós façamos parte da sociedade como qualquer pessoa, não pela nossa orientação sexual, mas pelas nossas habilidades, somos cidadãos como qualquer um”.

Para que consigam viajar Brasil – Portugal e retornar, são necessárias pelo menos 14 pacotes onde existem custos de passagens e hospedagem durante o período de jogos. A estimativa é que o valor fique em R$ 140.000.

“VOCÊ REBOLA DEMAIS”.
Um metro e noventa e cinco e um largo sorrido no rosto. Thiago Soares da Cruz, 33 anos, conhecido como Duplex, já fez parte da Seleção Brasileira de Handebol e hoje joga no Bulls. A carreira começou aos doze anos contra a vontade do pai. Depois de passar por vários times, conhecer várias cidades, estados e países, ele lembra um momento importante para ele: “Cheguei na seleção brasileira e contei que era gay. Expliquei que não importava se o atleta era gay ou hétero; preto como eu ou branco, o que importa é o talento.”

Assim como a maior parte dos atletas, Duplex também viu de perto que muitos homens não viviam plenamente sua sexualidade por causa do medo. Depois que falou ao time sobre sua orientação sexual, enfrentou uma situação complicada: “Havia um atleta que não usava o vestiário para tomar banho ou se trocar enquanto eu estivesse lá. E eu também não podia entrar se ele estivesse usando o local.

Depois de seis meses, ele me abordou e disse que eu era inspiração para ele”. Duplex completa: “Enfrentei preconceito, mesmo assim sempre coloquei meu sorriso no rosto e vivi meus sonhos. Hoje, tenho vários amigos héteros e que, inclusive, sou padrinho de casamento. É importante ter exemplos para que os atletas de todos os times aprendam a receber os homens gays e percebam que não tem diferença na convivência!”. 
Depois que entrou em times de handebol que trabalhavam com as causas de diversidade, Mateus Luiz de Siqueira Nunes, 28 anos, se sentiu à vontade: “Eu sabia que não ia ouvir que eu rebolava demais ou que eu fazia graça demais como acontecia em outros times. Também já fui xingado por torcedores”.

A história do jovem jogador começa na escola quando ele percebia que era melhor não se destacar muito no time de handebol para não ser alvo de xingamentos. Mas não adiantou, o talento apareceu e foi convidado a ser atleta federado. “Quinze anos atrás, não existia essa preocupação em incluir todo mundo. Amigos meus que sonhavam em ser atletas profissionais foram vetados por causa da sexualidade. Numa universidade particular que estudei, o treinador era homofóbico.

Eu não tinha o padrão heteronormativo daquela instituição, me destacava, mas não tinha oportunidades. Só em 2019, quando comecei a jogar em campeonatos inclusivos, me encontrei”. O atleta do Bulls ainda diz que o cenário é diferente hoje, mas que a luta pelas causas LGBTQIAP+ continua: “Hoje, jogamos de igual pra igual com os héteros. O Bulls tem esse objetivo, ser uma família que oferece acolhimento para quem sofre com problemas familiares ou com algum tipo de preconceito!”, finaliza. 

COMPETIÇÕES.
A Maia Cup é considerada está entre as maiores competições internacionais de handebol para jovens. O torneio oferece jogos contra diferentes países e também valoriza o respeito entre os adversários. Na 16a edição, são mais de 500 jogos realizados na cidade de Maia, um distrito portuário conhecido pelas praias, festas, karaokês e parques.

A Garci Cup não fica atrás. No ano passado, o torneio amador de handebol contou com 240 equipes de diversas categorias com mais de 3500 atletas em 600 jogos e 12 quadras. 

COMO AJUDAR?
Para que o time do Bulls viagem, o time busca patrocínio ou ajuda financeira. A ideia é que os atletas se hospedem em escolas e tenham transporte e alimentação disponíveis. O planejamento envolve chegar em Portugal no dia quatro de julho e deixar o alojamento no dia 16 do mesmo mês. O dinheiro também vai ser usado na inscrição de cada atleta. Para ajudar o Bulls, você pode entrar em contato pelo telefone 11-98751-5155 ou pelo instagram @bulls.sp