CPI do MST tem bate-bocas e confusões entre situação e oposição

Deputados vêm sido acusados de silenciar mulheres nas reuniões da Comissão; Girão fala em 'vitimismo'

"Bate-boca" são os destaques das reuniões da Comissão que investiga os Sem Terra

"Bate-boca" são os destaques das reuniões da Comissão que investiga os Sem Terra | Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Mais uma vez, a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) foi impedida de se manifestar na Comissão Parlamentar de Inquérito do Movimento dos Sem Terra (CPI do MST). As reuniões da Comissão tem sido marcada por “bate-bocas”. Nesta quarta-feira (12), a deputada e também a colega, Talíria Petrone (PSOL-RJ), foram chamadas de “chorume comunista” do movimento acusado de “financiar invasões”. As declarações foram feitas pelo deputado Éder Mauro (PL-PA).

“Sinta o cheiro do chorume do comunismo à sua volta”, disse Éder. Sâmia reagiu, falou que santinhos do deputado terem sido encontrados no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, e com isso instigou o relator da Comissão, deputado Ricardo Salles (PL-SP). Ele disse: “Lá vem a deputada que é sempre interrompida querer interromper a todos”. A fala foi feita após Sâmia cobrar investigações do período enquanto Salles foi ministro do Meio Ambiente, no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Episódios constantes 

Não foi a primeira vez. Em várias reuniões, as deputadas têm o microfone cortado ao longo das reuniões. Nesta última reunião, a aposta foi dobrada, Salles entrou com representação contra Sâmia na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados. Alegou que pediria uma demissão coletiva.

O presidente da CPI, Coronel Zucco (Republicanos-RS), endossou o relator. Disse que interromperia a sessão se a deputada não deixasse os demais falarem. Outros parlamentares se manifestaram. O deputado General Girão (PL-RN) disse sobre a deputada: “Se vale de ser mulher para silenciar os demais e se vitimizar quando lhe convém”. 

Na tentativa de se defender, Salles alegou que as falas das deputadas precisavam ficar registradas por sempre tentarem se vitimizar. Girão chegou a pedir a expulsão de Sâmia do Plenário. “Qual é o seu objetivo, deputada Sâmia? Quer que eu encerre a sessão? Fique calada e respeite os demais deputados”, declarou.

Em defesa, Sâmia Bomfim declarou: “Em nenhum momento em que eu fui interrompida, ofendida ou humilhada, o presidente ou o relator saiu em minha defesa. Ao contrário, eles eram os principais agentes dessas ações.”, disse a deputada à imprensa.