Ministérios da Saúde e do Desenvolvimento Regional, já negados, do Turismo, já obtido, dos Esportes, das Mulheres, ainda em expectativa, são apenas algumas das pastas que os partidos do chamado Centrão estão pedindo ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. É em troca da aprovação da reforma tributária, do retorno do voto de qualidade no Conselho de Administração dos Recursos Fiscais (Carf) e pela entrega do projeto do novo arcabouço fiscal no início do segundo semestre na Câmara. E também pela promessa do Senado Federal em ser célere na aprovação das pautas na Casa.
Assim, declarados, os parlamentares partiram para seus recessos. Na última quinta-feira (13) o Palácio do Planalto anunciou que a nomeação do deputado Celso Sabino (União-PA) para o ministério do Turismo sai nos próximos dias.
Na última reunião com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), em agradecimento, Lula sinalizou que estava disposto a ter, no primeiro escalão, mais parlamentares de partidos que ainda não estavam totalmente alinhados com o governo federal.
Entretanto, esta conta parece que ficará mais salgada. E é necessário que o governo tenha em vista que ainda tem muitas batalhas para travar, para além da econômica, e que podem dificultar a tramitação de projetos de maneira mais rápida, favorecendo a imagem do presidente da República e da administração pública. As Comissões Parlamentar de Inquérito (CPIs), na Câmara, e a Mista (CPMI), no Senado, prometem seguir dando trabalho.
Muito apetite e pouca ração
Ao negar, por exemplo, a saída da ministra da Saúde, Nísia Trindade, Lula a puxou para sua cota personalíssima. “Tem ministros que não são trocáveis. Tem alguns que são da escolha pessoal do presidente da República”, declarou Lula acerca da permanência de Nísia.
Há avaliações, ainda, de que não há a mínima condição de o presidente abrir mão do Desenvolvimento Regional, considerando que o ministério representa uma das maiores bandeiras do governo Lula, o Bolsa Família.
Se o ministro Wellington Dias (PT-PI), senador licenciado, sair do Desenvolvimento Regional, pode até vir a ocupar o lugar de Geraldo Alckmin (PSD-SP) no Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, já que o ex-governador de São Paulo é também vice-presidente da República. Mas o PT abrir mão da pasta de seu principal programa está fora de cogitação. E antes do apagar das luzes no Congresso Nacional, ouviu-se que Alckmin terá a prerrogativa de querer deixar a Pasta.
Lula também não quer mexer com Ana Moser, do Esportes, que tem sido muito bem avaliada pelo setor. Fazer mudanças no Ministério das Mulheres, tirando Cida Gonçalves, também pode ser arriscado, pois além de também estar sendo reconhecida por sua atuação, a ministra tem proximidade com a primeira-dama, Rosângela Silva, a Janja. Há no ar uma preocupação muito grande sobre o fato de tantas mulheres estarem sendo alvos desse apetite dos parlamentares do Centrão. Seria emblemático para Lula morder a isca, afinal ainda não se pode deixar de pensar na questão da diversidade.
Com isso, resta ao Centrão brigar pelo segundo escalão. Mas não será uma briga fácil, já que os órgão pleiteados estão sendo gerenciados, acima de tudo, por pessoas da confiança de Lula, como é o caso da Embratur, que tem como presidente Marcelo Freixo. O ex-integrante do PSB e do PSOL se filiou ao PT em maio passado, aumentando a confiança do governo na condução do órgão. A avaliação é de que ele tem feito uma boa gestão, e que não tem porque mexer nesta gestão.
Ainda estão na mira dos parlamentares Caixa Econômica Federal, Fundação Nacional da Saúde (Funasa), que o governo prometeu recriar com uma estrutura mais enxuta, Fundação Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), e Correios. Nos Correios está Fabiano Silva, amigo pessoal do presidente, próximo, esteve na prisão em visitas constantes quando Lula estava detido em Curitiba. E há que se considerar a capilaridade e o orçamento das autarquias: o preço cobrado pode estar sendo um tanto quanto mais caro do que há a disposição em se pagar.
Os parlamentares retornam do recesso na primeira semana de agosto. Câmara tem na agenda a votação do novo arcabouço fiscal, alterado no Senado Federal. Antes da saída de Brasília, houve articulações da equipe econômica e de articulação do governo com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Foi pela aprovação do voto de qualidade do Carf e pelo encaminhamento da votação da reforma tributária para que esta seja votada ainda em 2023. Os ministros da Fazenda e das Relações Institucionais, Fernando Haddad e Alexandre Padilha, saíram dos encontros empolgados.
