Estudo defende estatal para setor ferroviário brasileiro

Linhas ferroviárias de cargas atravessam toda a região; material faz constatações do atraso de mais de meio século do Brasil

Linhas ferroviárias de cargas atravessam toda a região e o País

Linhas ferroviárias de cargas atravessam toda a região e o País | Nair Bueno/DL

Um estudo sobre o setor que mapeia os modelos de gestão de trens de passageiros adotados em diversos países foi apresentado ao secretário Nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, e uma equipe de técnicos do Governo Federal. O documento foi um dos últimos trabalhos conduzidos pelo economista José Tavares de Araújo, que faleceu recentemente.

Intitulado “Perspectivas do Setor Ferroviário no Brasil: um confronto com o resto do mundo”, o material faz constatações acerca do atraso de mais meio século do país no segmento e ressalta a operacionalização dos serviços por meio do controle de estatais, com subsídios de governos, a exemplo dos sistemas ferroviários dos Estados Unidos, Canadá, Índia, China, União Europeia e outros.

A pesquisa, que partiu de uma iniciativa da Frente Nacional Pela Volta das Ferrovias (FerroFrente), foi entregue pelo presidente da entidade, José Manoel Ferreira Gonçalves. No encontro, previsto há mais de uma semana, o estudioso estaria presente para esclarecer os principais achados de sua pesquisa, que teve base em dezenas de documentos e relatórios do Banco Mundial e, especialmente, das estatais ferroviárias examinadas.

“Desde o início da parceria, pudemos compartilhar o entusiasmo e o compromisso de Tavares em contribuir com o aprimoramento das ferrovias no Brasil. Por isso, entendemos a importância crucial de continuar o seu legado, para avançarmos com as recomendações do estudo para revitalizar o setor ferroviário de passageiros do país”, afirmou Gonçalves.

ANÁLISE.

O estudo oferece uma análise comparativa abrangente do sistema ferroviário de passageiros brasileiro em relação a outros países ao redor do mundo. Um dos principais pontos destacados no estudo é a necessidade de envolvimento do Estado para garantir o sucesso do setor.

De acordo com Tavares, a intervenção do governo é fundamental para superar os desafios iniciais e estabelecer uma base sólida para o setor. Ele argumentou que os subsídios poderiam não apenas tornar as viagens de trem mais acessíveis e competitivas em comparação com outras opções de transporte, mas também desempenhariam um papel crucial em incentivar o uso sustentável do transporte ferroviário, contribuindo assim para a redução das emissões de carbono.

O secretário Leonardo Ribeiro ressaltou o compromisso do governo com o segmento de passageiros e observou que as recomendações do estudo ferroviário vão ao encontro das premissas para o setor analisadas pelo Ministério dos Transportes.

“A secretaria está trabalhando, desde o início desta gestão, em uma regulamentação sólida para o transporte de passageiro via férrea, o que inclui a origem dos recursos para viabilização dos projetos. Neste sentido, recebemos este estudo como uma importante contribuição para avaliação das melhores práticas, nas quais poderemos nos inspirar para entregar ao país um serviço adequado, que garanta acesso para a sociedade e segurança jurídica para o investidor”, afirmou Ribeiro.

Segundo José Manoel Gonçalves, o estudo terá uma nova etapa e será aprofundado pelo viés econômico.

“Tavares seria o responsável natural por essa nova fase do estudo, em que iríamos avançar nas condicionantes econômicas para os projetos ferroviários para passageiros. Inspirados por sua dedicação, seguiremos como planejado, tanto em respeito ao seu legado, como por uma preciosa oportunidade de contribuir com o desenvolvimento do país”, destacou o presidente da FerroFrente.

Vale lembrar qe José Tavares de Araújo Junior, no primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, integrou o Ministério da Fazenda como secretário de acompanhamento econômico. Em sua trajetória, deixou um legado com diversas publicações em dez países, nas áreas de comércio internacional, política de concorrência e organização industrial.