Câmara e Senado precisam rever pautas

Deputados e senadores vão de encontro as pautas de desigualdade levantadas por Lula na ONU; atuação das parlamentares de São Paulo foi decisiva

Sâmia Bomfim foi uma das parlamentares que mais lutou pela representatividade nesta semana

Sâmia Bomfim foi uma das parlamentares que mais lutou pela representatividade nesta semana | Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Enquanto na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) Lula falava sobre desigualdade sobre LGBTfobia e sobre fome, o Congresso se declarou contrário por aqui na ausência de seus principais líderes e dos seus presidentes. Tentaram aprovar pautas consideradas até mesmo absurdas por alguns, levando parlamentares, em especial as mulheres de São Paulo, a terem muito trabalho ao longo da semana.

Mulheres em atuação 

A primeira delas foi Érica Hilton (PSOL-SP). Ela teve que literalmente gritar pra tentar ser ouvida enquanto deputados queriam rediscutir e proibir o casamento entre pessoas do mesmo sexo no Brasil. Algo que já é consolidado e que já possui entendimento do Supremo Tribunal Federal ( STF) de que essa comunhão de bens é permitida. Então, mesmo que o Congresso vote outra lei sobre o assunto, ela não vira pauta no STF e será declarada inconstitucional, mesmo com todo esforço que esses deputados possam vir a fazer.

Outra deputada que teve muito trabalho, também do PSOL, foi Sâmia Bomfim. Isso porque ela está lutando na frente da batalha da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do MST e da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 9, de 3023, mais conhecida como PEC da Anistia. Sâmia teve que lutar para que o movimento não fosse criminalizado como deseja o relator da Comissão, Ricardo Salles (PL-SP). Inclusive Salles tentou, à revelia, aprovar o seu relatório, mesmo na ausência do presidente da Casa, o deputado Arthur Lira (PP-AL).

Sâmia também precisou atuar na PEC da Anistia, pois é do único partido contrário na comissão especial que tenta aprovar, de qualquer forma, o tema, tirando o direito de mulheres e de negros na representatividade dos parlamentos. Em entrevista à Globonews, a parlamentar disse que a última alteração na PEC é ainda mais prejudicial aos segmentos.

“Cada vez que há mudanças no relatório de Antonio Carlos Rodrigues (PL-SP) o texto ganha mais um jabuti e é só o PSOL que possui representatividade nesta Comissão”, declarou Sâmia. A deputada foi voz ativa para que o projeto não fosse aprovado na última quinta-feira (21).

Enquanto isso, na semana anterior, a senadora Mara Gabrilli (PSD-SP) e a advogada Daniela Teixeira, que têm pautas em comum, como maior representatividade feminina, atenção especial à primeira infância, combate à violência de gênero e temas de direitos humanos – como a população carcerária-, se encontraram no último 12 de setembro.

Daniela será sabatinada na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado e, se aprovada em Plenário, será nomeada pelo Chefe do Executivo para o Superior Tribunal de Justiça (STJ). A data da sabatina ainda deve ser agendada e está aguardada para acontecer nos próximos dias, 27 de setembro ou 4 de outubro. 

Nesta semana, Mara Gabrilli representou o Congresso brasileiro no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas em Genebra. Em missão oficial, de 18 a 22 de setembro, a convite do Itamaraty, a senadora participou da segunda semana das atividades do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, na Suíça; o debate levantou importância da igualdade de oportunidades para pessoas com deficiência.