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O clima chuvoso no início da primavera atrasou o plantio da batata na Região Sul do País. Resultado: na ‘virada’ de fevereiro para março, os volumes colhidos aumentaram em uma época normalmente de produção estável ou já em declínio. E os preços reagiram nos mercados atacadistas da Região Sudeste. O atacado paulista foi o que registrou as quedas mais tímidas, com as cotações médias da batata tipo ágata em R$ 127,97 pelo saco de 25 kg. Esse valor é relativo à semana entre os dias 26 de fevereiro e 1º de março e ficou 3,4% menor em relação à semana anterior.
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Segundo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), vinculado à Escola de Agronomia da USP, o clima menos chuvoso a partir da segunda quinzena de dezembro também melhorou a produtividade. Já em Minas Gerais, foi o aumento das chuvas em fevereiro que contribui para um melhor desempenho no campo, já que a região passou por um longo veranico.
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CENOURA.
O clima desfavorável já no final da primavera prejudicou as lavouras de cenoura em Minas Gerais, principal fornecedor da raiz para o Sudeste.
Segundo o Cepea/USP, no campo os preços caíram 10% na última semana de fevereiro, com a caixa de 29 kg sendo comercializada à média de R$ 81,00. A queda é um efeito do baixo padrão das raízes, que tiveram seu desenvolvimento afetado por intempéries em novembro.
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Os produtores também estão tendo problemas no pós-colheita, o que tem mantido o descarte elevado e, consequentemente, a oferta limitada. De acordo com os pesquisadores do Cepea/USP, a tendência para as próximas semanas é de melhora gradual na qualidade das cenouras.
CEBOLA.
O excesso de chuva no Sul nos últimos meses de 2023 também prejudicou a cebola. Com descartes elevados nas lavouras do Rio Grande devido à baixa qualidade dos bulbos, o Brasil vem aumentando o volume de importações da Argentina.
E o preço disparou 14,2% no atacado, na comparação com a semana anterior, segundo dados do Cepea/USP. Com a oferta no Brasil cada vez mais restrita, a tendência é de que este cenário de alta permaneça nas próximas semanas.
TOMATE.
Na ‘virada’ do mês, os valores do tomate dispararam nos atacados de São Paulo. A média da caixa do salada 3A foi de R$ 91,70, o que representou uma valorização de 30% frente à semana anterior.
Principal fornecedora dos atacados paulistas, a cidade de Itapeva, no sudoeste do Estado, se aproxima do final do ciclo produtivo, o que tem contribuído para o menor volume disponível. Já em Caçador, no interior catarinense, outra praça importante na produção do tomate, as chuvas em meados de fevereiro atrapalharam a entrada de trabalhadores nas lavouras.
ALFACE.
Segundo o Cepea/USP, as temperaturas amenas têm favorecido a produção de alface em Mogi das Cruzes e Ibiúna, no cinturão verde da Grande São Paulo, principal região produtora no Estado.
Mesmo com clima favorável, os preços da crespa subiram 33,3% no campo na ‘virada’ do mês. Em sentido oposto, a maior oferta pressionou as cotações da americana, que fechou a semana com redução de 2,5% na comparação com a semana anterior.
De acordo com a Climatempo, a previsão é de temperaturas mais altas nos próximos dias e volume de chuvas maior, o que pode interferir na qualidade e na quantidade de alface disponível nos atacados.
