A última atualização da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN reclassificou 16 espécies de aves limícolas migratórias para categorias de ameaças mais altas, onde nove passaram a figurar na lista de Ameaçadas de Extinção (VU), enquanto as outras foram para a lista de Quase Ameaçadas (NT).
Destas, 11 visitam o Brasil e 9 delas passam pelo Estado de São Paulo.
A lista, divulgada na semana passada pela Birdlife Internacional, revelou um declínio altamente preocupante nas populações de aves limícolas migratórias em todo o mundo e destaca problemas nas áreas por onde essas espécies passam, além da necessidade de mais colaboração dos governos.
Entraram para a Lista de Ameaçadas de Extinção, na categoria “Vulnerável” (VU):
Batuiruçu-de-axila-preta (Pluvialis squatarola)
Vem do hemisfério norte e pode ser encontrada em todo o Brasil, inclusive no litoral de São Paulo.
Maçarico-marmóreo (Limosa fedoa)
Migra da América do Norte até a América do Sul. Há registros no nordeste do Brasil.
Maçarico-de-bico-virado (Limosa haemástica)
Vem do Hemisfério Norte e possui registros no Brasil, incluindo o Litoral de São Paulo.
Pilrito-falcinelo (Calidris falcinellus)
Nidifica no norte da Europa e migra para a costa do Oceano Índico. Não há registros no Brasil.
Maçarico-de-bico-curvo (Calidris ferrugínea)
Ela nidifica no Ártico e inverna na costa africana. Há poucos registros no Brasil.
Maçarico-de-sobre-branco (Calidris fuscicollis)
Visitante da América do Norte que pode ser vista em toda a costa do Brasil.
Maçarico-acanelado (Calidris subruficollis)
Ocorre na América do Norte e visita o Brasil no período de invernada, quando chega às praias paulistas.
Maçarico-de-costas-brancas (Limnodromus griseus)
Migram do hemisfério norte e pode ser vista em quase todo o Brasil. Ainda não há registros em São Paulo.
Maçarico-de-perna-amarela (Tringa flavipes)
Outra visitante do hemisfério norte e que pode ser encontrada em todo o Brasil.
Espécies que entraram para a lista de Quase Ameaçada (NT)
Borrelho-de-dupla-coleira (Charadrius vociferus)
Viaja entre o Canadá e o Chile. Não há registros no Brasil.
Vira-pedras (Arenaria interpres)
Vem do hemisfério norte e pode ser encontrada em todo o Brasil, inclusive nas praias paulistas.
Maçarico-pernilongo (Calidris himantopus)
Vem do hemisfério norte e pode ser encontrada em várias praias do Brasil, inclusive no Estado de São Paulo.
Pilrito-comum (Calidris alpina)
Transita entre o norte da Europa e a costa africana. Não há registros no Brasil.
Maçariquinho (Calidris minutilla)
Vem do hemisfério norte e pode ser encontrada em todo o Brasil.
Maçarico-escolopáceo-americano (Limnodromus scolopaceus)
Nidifica no Alasca e pode chegar até o Golfo do México e Europa. Não há registros no Brasil.
Maçarico-grande-de-perna-amarela (Tringa melanoleuca)
Também é uma visitante do hemisfério norte e que pode ser encontrada em todo o Brasil.
Declínio da população
O Coordenador Científico Global e Coordenador da Autoridade da Lista Vermelha de Aves, Dr Ian Burfield, da BirdLife International, destacou que as análises de dados e o monitoramento apontam um declínio das populações destas aves pelo mundo em um ritmo acelerado e da necessidade de ações que possam resolver o problema.
“Embora muitas destas aves limícolas permaneçam numerosas e ainda sejam frequentemente encontradas ao longo das suas rotas de voo, novas análises de dados de esquemas de monitorização de longo prazo revelam que as populações globais de algumas espécies diminuíram em mais de um terço nas últimas décadas. Em alguns casos, a taxa de declínio está a acelerar – sublinhando a necessidade urgente de investigação para diagnosticar as causas e ações coordenadas de conservação.”
Já o Coordenador Global de Flyways, Dr Barend Van Gemerden, também da BirdLife International falou que preservar o local destas aves é também preservar as populações, pois assim como elas, muitas pessoas dependem do local preservado para viverem:
“O declínio perigoso das aves migratórias é um sinal de que a integridade das rotas migratórias está a deteriorar-se. Perder a rede de habitats dos quais as aves migratórias dependem para descansar e se alimentar durante as suas longas viagens pode ter consequências graves para as milhões de pessoas que dependem destes locais, bem como para as aves”.
De acordo com o biólogo, Bruno Lima, do Projeto “Aves Limícolas”, a atenção maior agora tem que estar voltada para as aves que entraram nesta lista e tentar reverter o quadro, o mais rápido possível.
“A gente vai ter que cortar os riscos, ou seja, eliminar o que está causando esse declínio, que é justamente a perda de habitat e os distúrbios nas praias. Depois, levantar a população, que seria levantar a imunidade, restaurando os habitats, criando novas áreas protegidas, recuperando as áreas que foram destruídas, recuperando os manguezais, as plantas, entendeu? E isso levantaria a população de novo”.
A Coordenadora do Dia Mundial das Aves Migratórias do Brasil, da Environment for the Americas, representante da Wader Quest Brasil e membro do Projeto Aves Limícolas, Karina Avila, disse que ainda não leu a respeito da recategorização, mas falou que ficou muito alarmada com a notícia e acredita que a ação de preservação destas aves tem que ser um esforço internacional.
“Fiquei muito alarmada, pois espécies que estavam catalogadas como “pouco preocupante” agora subiram de categoria. Para reverter esse quadro, é muito importante o trabalho em conjunto através das Américas e no mundo, pois quase todas elas são migrantes e passam por diferentes nações e precisa de um esforço internacional”.
Lista da IUCN
A Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) das espécies ameaçadas, também conhecida como Lista Vermelha da IUCN é dividida em três partes:
Baixo Risco: estão as espécies classificadas como “Pouco Preocupantes” (LC) e “ Quase Ameaçada” (NT).
Ameaçadas: são divididas em “Vulnerável” (VU), “Em Perigo” (EN) e “em perigo crítico” (CR).
Categorias de extinção: que são, Extinto na natureza (EW) e Extinto (EX).
