No início dos trabalhos do Legislativo Santista, algumas batalhas são dignas de Dom Quixote de la Mancha, livro escrito pelo espanhol Miguel de Cervantes, em que o personagem se envolve em uma série de aventuras, mas suas fantasias são sempre desmentidas pela dura realidade.
Vejamos. O vereador Rui De Rosis Jr (PL) abriu sua atuação na Câmara de Santos alardeando suas aventuras. Com um discurso firme de oposição ao governo Rogério Santos, durante a primeira Sessão Ordinária, ele protocolou uma série de requerimentos e, entre eles, um que visa o fim de cabide de empregos na CET, COHAB e PRODESAN.
Rui De Rosis Jr exige transparência total na nomeação de cargos comissionados nessas empresas, solicitando um relatório detalhado com nomes, funções e qualificações dos ocupantes. Será que isso vai acontecer, já que nos últimos anos até Ministério Público tem dificuldades.
Também na oposição, a vereadora Débora Camilo (PSOL), como o personagem de Cervantes, ainda não desistiu da aventura que dura desde 2021: a de convencer seus pares a aprovar um projeto de lei que prevê a substituição de monumentos, estátuas, placas e quaisquer homenagens que façam menções a escravocratas, higienistas e integrantes da ditadura civil-militar. Uma luta praticamente impossível de vencer no Brasil, último país das américas a abolir a escravidão.
Em Brasília, o Governo Federal conseguiu emplacar ano passado uma proposta quixotesca. Após aprovação na Câmara dos Deputados, presidente Lula sancionou o Projeto de Lei Complementar (PLC nº 68/2024) que regulamenta a Reforma Tributária. A medida representa um importante passo no combate à fome e à insegurança alimentar com a isenção total de impostos sobre os alimentos da cesta básica. A segunda etapa da reforma depende da aprovação do Senado.
A legislação entra em vigor a partir de 2027 e beneficiará diretamente a população de baixa renda, que destina grande parte do orçamento doméstico para a compra de alimentos.
No entanto, parte dos deputados e deputadas de oposição que votaram contra a proposta – entre eles a deputada Rosa Valle (PL) – hoje veste bonés com o slogan “comida barata novamente” esquecendo alguns números.
Durante os quatro anos do governo Bolsonaro, a inflação dos alimentos acumulou alta de 57%, conforme dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
Em 2022, o índice atingiu quase 12%, após alcançar 14% no primeiro ano da pandemia, em 2020. O consumo de carne bovina per capita caiu de 35,5 kg por habitante em 2018 para 28,2 kg em 2022. “A Guerra dos Bonés esquece que a inflação de alimentos foi alta no governo Bolsonaro”, escreveu a jornalista Miriam Leitão.
