Córrego Independência: Projeto removeu moradias, mas permitiu reocupação

Para fazer as obras de macrodrenagem, foi preciso remover moradias, em processo iniciado em 2005

Para fazer as obras de macrodrenagem, foi preciso remover moradias

Para fazer as obras de macrodrenagem, foi preciso remover moradias | Reprodução

Assim como o Diário do Litoral informou, através de um estudo, o estado conclui que poder público foi omisso na prevenção a enchentes em Heliópolis. O material também analisou as intervenções feitas por meio do Plane de Aceleração do Crescimento (PAC-UAP) no Córrego Independência, situado no Núcleo Redondinhos/João Lanhoso.

Para fazer as obras de macrodrenagem, foi preciso remover moradias, em processo iniciado em 2005. Entre 2008 e 2016, as vielas foram urbanizadas e o córrego foi canalizado, mas não foi previsto nada para as margens desocupadas, que poderiam ter uma área verde e espaços de uso comum.

Assim, na Viela Sabesp, por exemplo, os moradores respeitaram a decisão de não usar para moradia o espaço agora livre no entorno do córrego, mas fizeram outros tipos de construções que complementam o espaço das casas. Já na Viela Gaivotas, onde o Independência deságua no Ribeirão dos Meninos, houve reocupação, o que gerou emparedamento do canal.

E os moradores relatam inundações recorrentes nesse trecho. “Portanto, uma intervenção que visava à qualificação ambiental da área, retirando moradias de áreas de risco, não se completou e, em alguns trechos, gerou novas situações precárias”, destaca a pesquisa conduzida pelos pesquisadores do Laboratório de Estudos e Projetos Urbanos e Regionais da Universidade Federal do ABC e do Centro de Estudos da Favela (Cefavela)

O projeto do PAC não considerou a alta demanda por espaço em Heliópolis, densamente habitado, e não propôs maneiras para uso e ocupação do solo.

Base para a luta 

A apresentação da cartilha Águas na Quebrada foi coordenada por Luciana Ferrara, com mediação de pesquisadores. Eles relataram conceitos ambientais e de Geografia. Também deram orientações gerais sobre como agir em caso de alagamentos e enchentes. Os participantes também debateram possíveis soluções a partir dos dados e orientações da cartilha.

A oficina foi realizada em duas partes. Na primeira, foram apresentados conceitos como bacia hidrográfica e a diferença entre enchente, alagamento e inundação. Na segunda parte, foram apresentados resultados de uma outra pesquisa do Cefavela sobre a qualidade das moradias.

Rosana Denaldi, do Cefavela, entregou para Antonia Cliede Alves, presidenta da Unas, todos os dados sobre Heliópolis do Censo 2022 já disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“A oficina faz parte das nossas atividades de extensão, é fundamental dar esse retorno para a comunidade. Nosso princípio é sempre trabalhar em parceria, dar voz aos que vivem no território e trazer resultados que ajudem em suas vidas cotidianas”, afirma Rosana.