A novela envolvendo a destinação do Escolástica Rosa poderia ter capítulos bem diferentes, desde o ano passado. Hoje, o local poderia servir de “abrigo” para o Instituto Federal de Educação em Santos, prometido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em visita ao Porto no dia 2 de fevereiro de 2024, o presidente prometeu instalar uma unidade do Instituto Federal de Educação na cidade. E na oportunidade, pediu às autoridades locais que indicassem um imóvel compatível com as atividades da unidade de ensino profissionalizante.
Consultado pelo Diário do Litoral durante visita de Tarcísio de Freitas à Prefeitura, o prefeito Rogério Santos (Republicanos) disse que pediria uma audiência em Brasília para tratar do tema.
Depois, em conversa informal na Associação Comercial de Santos durante a visita do governador mineiro Romeu Zema (Novo), o prefeito sinalizou que poderia sugerir a instalação do campus do IF no imóvel que abrigou o Instituto Escolástica Rosa. Mas, a Prefeitura nunca mais tocou no assunto.
Ligado ao Ministério de Gestão e Inovação em Serviços Públicos, o escritório da Secretaria de Patrimônio da União (SPU) em Santos chegou a promover um levantamento de imóveis ociosos da União na Cidade.
O escritório é dirigido pelo ex-secretário de Habitação de São Vicente, o psicólogo Emerson Santos. Quem também exerce cargo comissionado em Brasília é a geóloga e ex-vereadora santista Cassandra Maroni Nunes. Petista histórica, Cassandra é a atual diretora do Departamento de Destinação de Imóveis do Ministério de Gestão.
Mais: conforme apurado pelo Ministério Público em inquérito que pede a desapropriação do Escolástica Rosa, a Santa Casa devia, em 2024, perto de R$ 100 milhões em impostos federais. Além disso, a entidade também acumulava outra dívida de quase R$ 30 milhões com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
No então, presentes na audiência, a vereadora Débora Camilo (PSol) e a ex-prefeita de Cubatão, Márcia Rosa (PT), discursaram sem sinalizar qualquer interlocução concreta com a Presidência da República a fim de viabilizar a instalação do IF no conjunto arquitetônico que leva o nome da ex-escrava dona Escolástica Rosa.
