Aberto na quinta-feira, o Festival de Cinema do Rio foi surpreendido pelas manifestações. O festival tem no cinema Odeon, a poucos metros da Câmara dos
Vereadores, a sala de gala para estreias de filmes nacionais. Nesta terça-feira, dia 1º, duas sessões foram canceladas e transferidas para cinemas de Botafogo, por causa do caos na Cinelândia.
Na sessão de abertura, artistas foram vaiados e chamados de “alienados” no tapete vermelho por cerca de cem pessoas. Na segunda, um bate-boca antecedeu a exibição de “Jogo das Decapitações”, de Sergio Bianchi. Professores que estavam no café do Odeon se envolveram numa discussão com o ator Paulo Cesar Pereio, do elenco do filme. Quase houve briga, mas os ânimos foram apaziguados e a exibição transcorreu normalmente.
Quando começou o tumulto com a polícia dezenas de pessoas correram para se abrigar no saguão do cinema.
“Estava no café e dois professores histéricos começaram a falar alto, falar mal do festival, da TV Globo… Eu reagi, mandei eles se f… Colocaram o dedo na minha cara. Sou uma pessoa passional, e reagi. Faço um cinema guerrilheiro, sempre briguei pelo povo, fui preso na ditadura. Estou com 73 anos e minha vida não permite que botem o dedo na minha cara. Essas pessoas não identificam o inimigo delas, então todo mundo é inimigo. Não entendo direito essa luta”, disse Pereio.

Representantes dos professores disseram que, antes da projeção, explicaram a Bianchi o pleito da categoria, e pediram que ele se posicionasse politicamente quando subisse ao palco para os agradecimentos. O diretor fez menção aos protestos de rua no País, mas não especificamente aos dos professores.
“Sou a favor de qualquer movimento reivindicatório. Eles têm razão: a educação no Brasil no Brasil é mesmo o caos. Mas sou de São Paulo, não tenho elementos para falar nada sobre os professores do Rio”, afirmou Bianchi.
Quando estouraram bombas na Cinelândia, as portas do Odeon foram fechadas. “Tinha muita adrenalina, muita gente enlouquecida. Gritei para que a polícia parasse de jogar bomba”, disse o cineasta.
Na Cinelândia e nas redes sociais, os professores e apoiadores da greve têm criticado o festival desde a noite de abertura, quando a atriz Letícia Sabatella foi atingida na cabeça por um rolo de papel higiênico jogado por manifestantes. As atrizes Leona Cavalli, Dira Paes e Christiane Torloni também foram vaiadas.
Nesta terça, uma das diretoras do festival, Vilma Lustosa, disse que não havia clima para sessões na Cinelândia e que o cinema brasileiro está solidário aos professores.
O Teatro Municipal, outro vizinho da Câmara dos Vereadores, também foi afetado: teve de cancelar récita do espetáculo da companhia Momix Dance Theater de terça à noite.
