São Paulo pode isentar autistas da cobrança de Zona Azul; entenda o projeto

Projeto de lei municipal propõe gratuidade para pessoas com TEA em cerca de 50 mil vagas de estacionamento na capital

Projeto propõe gratuidade para pessoas com TEA em cerca de 50 mil vagas de estacionamento na capital

Projeto propõe gratuidade para pessoas com TEA em cerca de 50 mil vagas de estacionamento na capital | Divulgação

Um novo projeto de lei pode trazer alívio financeiro para milhares de famílias paulistanas. O vereador Adrilles Jorge (União Brasil) apresentou na Câmara Municipal uma proposta que prevê a isenção da taxa de Zona Azul para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em São Paulo. A medida pode beneficiar usuários de cerca de 50 mil vagas de estacionamento espalhadas pela capital.

Atualmente, pessoas com TEA têm direito a vagas especiais em áreas demarcadas, inclusive na Zona Azul. No entanto, mesmo com o benefício, essas famílias ainda precisam arcar com o custo do Cartão Azul Digital (CAD), que atualmente custa R$ 6,67 por hora. O novo projeto, de número 23/2025, busca eliminar essa cobrança, estendendo a gratuidade também às vagas convencionais de Zona Azul – não apenas àquelas reservadas a pessoas com deficiência.

Segundo o vereador Adrilles Jorge, a proposta tem como principal objetivo facilitar o deslocamento de pessoas com TEA para serviços essenciais, como consultas médicas, sessões de terapia e atendimentos especializados.

“Pessoas com TEA vão para consultas médicas, terapias e atendimentos especializados em diferentes pontos da cidade. Este deslocamento exige o uso de carro, o que acaba gerando um custo alto com estacionamento. A isenção proposta em nosso projeto vai ajudar a aliviar este gasto, que já é bem pesado, considerando outros custos com tratamentos, medicamentos e acompanhamento”, afirmou.

No Litoral de São Paulo, o sistema Zona Azul tem outras funcionalidades. Em Santos, os motoristas podem utilizar Sem Parar para pagar o estacionamento Zona Azul. Já em Bertioga, este tipo de sistema de pagamento só foi instalado no final do ano passado.

A proposta será analisada pelas Comissões Permanentes da Câmara. Caso aprovada, a gratuidade será concedida aos paulistanos com TEA que estiverem inscritos no Sistema Municipal de Cadastro de Pessoas com Deficiência, gerido pela Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência. O cadastro exige laudo médico e documentação específica que comprove a condição.

Adrilles destaca que a iniciativa é uma resposta às dificuldades enfrentadas diariamente por famílias de autistas na cidade. “Essas famílias lidam com rotinas estruturadas, crises comportamentais e sensibilidade sensorial. Muitas vezes, o transporte público não é uma opção viável. Por isso, precisamos garantir o acesso à mobilidade urbana de maneira mais inclusiva e efetiva”, explica o parlamentar.

A proposta se apoia na Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015), que reconhece o TEA como uma deficiência e assegura às pessoas com o transtorno uma série de direitos e políticas públicas de apoio.

Caso o projeto seja aprovado, São Paulo poderá se tornar uma das primeiras capitais do Brasil a garantir isenção total da Zona Azul para pessoas com autismo, reforçando o compromisso com a inclusão e acessibilidade.