A já tradicional Festa Cigana de Guarujá, que aconteceu no último sábado (5), no Clube dos Criadores de Curiós, em Vicente de Carvalho, ficou repleta de admiradores dessa cultura milenar, que puderam passar horas agradáveis com danças, rituais e quitutes da culinária cigana.
O destaque foi para o ritual do fogo e da fogueira. Esses rituais buscam nas pessoas a paz e a harmonia, um sentimento do povo cigano, que tem em Santa Sara Kali sua padroeira, uma das duas santas negras. Outra santa de devoção deste povo é Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Por esse motivo, as duas estavam presentes no altar montado na entrada da festa, junto a um banquete de frutas, simbolizando a fartura.
O povo cigano é uma etnia, não uma religião. E cada clã adota uma religião com qual mais se identifica. Os ciganos são divididos em dois grandes clãs: os Kaluns, que são nômades e os Caldarashi, que se fixam em cidades. No Guarujá existem 12 famílias de origem cigana e mais de 300 pessoas por afinidade.

A cultura cigana também é preservada na vizinha cidade de Santos, onde também há uma grande comunidade cigana. Lá existe uma gruta à Santa Sara Kali, na Lagoa do Morro da Nova Cintra.
O povo cigano é um povo místico e que ama a liberdade. “A Pátria do cigano é onde ele está. Ele não acumula riquezas e deixa os palácios para seguir a estrada num carrossel”, diz Cléo Souza, a Tsara Gitana Lua Bonita. Outra característica desse povo é a prática da quiromancia e cartomancia, que é um dom, passado de geração a geração, praticado apenas pelas mulheres que o aprendem a partir dos sete anos e passam a praticá-lo a partir da primeira menstruação, quando também já estão preparadas para o matrimônio.
O evento é uma realização da Tsara Gitara Lua Bonita e conta com o apoio da Prefeitura de Guarujá, por meio da Secretaria de Cultura.