O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou novas regras para a obtenção de vistos de não imigrante, como o de turismo (B1/B2). A partir de 2 de setembro, candidatos com menos de 14 anos e mais de 79 anos também terão que passar por entrevistas presenciais em consulados e embaixadas — algo que até então não era exigido.
A decisão faz parte de uma série de medidas do governo Trump voltadas para restringir a entrada de estrangeiros no país, sob o argumento de reforçar o controle da imigração ilegal.
Recentemente, os EUA começam a monitorar as redes sociais de estudantes que pedem visto
O que mudou
Antes, menores de 14 anos e maiores de 79 tinham o processo simplificado, com apenas análise de documentos e formulários. Agora, precisarão responder pessoalmente a oficiais consulares.
A exigência vale para todos os países que precisam de visto para entrar nos EUA, incluindo o Brasil, mas há exceções. Continuam isentos da entrevista:
Funcionários de governos estrangeiros, da ONU e da Otan em funções oficiais;
Candidatos a vistos diplomáticos;
Quem solicita renovação de vistos B1/B2 dentro de até 12 meses do vencimento, desde que já tivesse mais de 18 anos quando o documento anterior foi emitido.
Mesmo nesses casos, os consulados podem solicitar entrevista se identificarem inconsistências.
‘Antiamericanismo’ vira critério oficial
As mudanças vão além da idade. O Serviço de Imigração e Cidadania dos EUA (USCIS) atualizou seu manual para permitir que vistos sejam negados a candidatos considerados promotores de ideologias antiamericanas.
Isso inclui casos em que a decisão não esteja prevista por outras regras, ficando a cargo do ‘discernimento’ do oficial consular. Segundo o USCIS, opiniões classificadas como ‘antissemitas’ também podem levar à recusa — postura que já resultou, em abril, na revogação de vistos de estudantes que participaram de protestos em universidades americanas a favor da Palestina.
Além disso, a análise das redes sociais dos solicitantes foi oficializada como parte do processo. ‘Atividades antiamericanas online serão um fator esmagadoramente negativo’, diz comunicado do USCIS.
Base legal e contexto histórico
As novas regras têm respaldo na Lei de Imigração e Nacionalidade de 1952, criada durante a Guerra Fria, que proibia a naturalização de comunistas e de quem defendesse a derrubada do governo americano pela força.
Para analistas, a medida representa uma endurecimento sem precedentes na triagem de vistos. Já para o governo, trata-se de ‘implementar políticas que combatam o antiamericanismo e reforcem os mecanismos de segurança nacional’.
Principais tópicos da mudança
O que mudou?
A partir de 2 de setembro, candidatos a vistos de não imigrante (como turismo B1/B2) com menos de 14 anos e mais de 79 anos também precisarão passar por entrevista em consulados e embaixadas.
Como era antes?
Essas faixas etárias estavam isentas de entrevista, precisando apenas entregar documentos e formulário.
Quem continua isento?
Funcionários de governos estrangeiros, ONU e Otan em funções oficiais.
Candidatos a vistos diplomáticos.
Quem for renovar visto B1/B2 dentro de até 12 meses do vencimento, desde que o anterior tenha sido emitido após os 18 anos.
O que mais mudou no processo?
‘Antiamericanismo’ virou critério oficial para negar vistos.
Opiniões classificadas como ‘antissemitas’ ou contrárias aos EUA podem resultar em recusa.
Redes sociais passam a ser analisadas: postagens consideradas “atividades antiamericanas” terão peso negativo.
Qual a justificativa dos EUA?
Reforçar o controle migratório e aplicar medidas de segurança nacional.
Base legal: Lei de Imigração e Nacionalidade de 1952, criada na Guerra Fria contra o comunismo.
Quem é afetado no Brasil?
Todos os brasileiros que solicitarem visto B1/B2 ou outros de não imigrante, exceto nos casos de isenção listados.
