Em feiras e supermercados é comum encontrar melancias e melões cortados à venda. Porém, quando expostas dessa forma, essas frutas podem representar sérios riscos à saúde. Isso porque, quando ficam em temperatura ambiente por horas, podem acumular microrganismos como Salmonella, E. coli e Listeria.
Calma, não é que a partir de agora você deva comprar apenas melancias inteiras. O recomendado pela Anvisa e pelo Ministério da Saúde é que, ao optar por frutas já cortadas, elas estejam devidamente embaladas, refrigeradas e armazenadas em local limpo, protegido da exposição ao sol e à poeira.
Também é importante observar a validade, a integridade da embalagem e, sempre que possível, dar preferência às frutas que forem higienizadas e cortadas na hora, em ambiente adequado.
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Os riscos
O consumo de melancias e melões cortados e expostos sem refrigeração está principalmente associado à contaminação microbiológica.
A Salmonella, a E. coli e a Listeria podem estar presentes na casca ou no ambiente. Quando a fruta é cortada, a polpa perde a proteção natural, tornando-se um meio rico em água e açúcar que favorece a multiplicação dessas bactérias.
A Listeria monocytogenes, por exemplo, é considerada a mais perigosa, pois pode sobreviver e se multiplicar até mesmo em temperaturas de refrigeração.
Os sintomas mais comuns das doenças transmitidas por alimentos (DTAs) incluem diarreia, náusea, vômito, dor abdominal e febre. Em casos mais graves, podem levar à desidratação intensa ou a complicações em crianças, idosos, gestantes e pessoas imunossuprimidas.
Fatores que aumentam o risco:
- Exposição ao ar livre: poeira, insetos e manipulação por várias pessoas contaminam facilmente a polpa.
- Ausência de refrigeração: temperaturas acima de 5 °C favorecem a multiplicação bacteriana.
- Higienização inadequada da casca e dos utensílios: facas e superfícies sujas transferem microrganismos da casca para a polpa.
- Tempo de exposição: quanto mais tempo a fruta permanece cortada e exposta, maior o risco de proliferação bacteriana.
Apesar de raros no Brasil, surtos relacionados a melões já foram relatados em outros países. Em 2011, nos Estados Unidos, um surto de Listeria em melões deixou 33 mortos e mais de 140 pessoas doentes. Já em 2019, a União Europeia bloqueou lotes de melão exportados do Brasil após detectar Salmonella. Nessa ocasião, a Anvisa também emitiu alertas sanitários sobre o produto.
Esses episódios mostram que o risco existe, mas está mais ligado a falhas na produção, transporte e armazenamento do que à venda local em si. A fruta não é perigosa por natureza, mas a forma como é manipulada pode transformá-la em um vetor de doenças.
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Como se proteger
Para reduzir os riscos, o Ministério da Saúde e a Anvisa recomendam alguns cuidados básicos:
- Prefira frutas inteiras ou cortadas na hora, em ambiente higienizado.
- Verifique se as frutas pré-cortadas estão sob refrigeração, em embalagem fechada e com data de validade.
- Observe a higiene do local e dos utensílios utilizados no corte.
- Lave a casca da fruta antes de cortá-la em casa, mesmo que não vá consumi-la.
- Após cortada, mantenha a fruta refrigerada e consuma em até 24 horas.
- Grupos de risco, como gestantes, crianças pequenas, idosos e pessoas com baixa imunidade devem ter atenção redobrada.
Apesar dos cuidados necessários, tanto o melão quanto a melancia permanecem entre as frutas mais nutritivas e refrescantes da mesa do brasileiro. A chave está na forma como são armazenados e consumidos: com atenção e informação, é possível aproveitar todos os benefícios dessas frutas queridas sem transformar a praticidade em ameaça à saúde.
