Trump pode enviar tropas ao Brasil caso Bolsonaro seja condenado?

Porta-voz da Casa Branca disse que o presidente dos EUA não tem medo de usar força militar em resposta ao voto de Alexandre de Moraes

Trump pode enviar militares ao Brasil em caso de condenação de Jair Bolsonaro?

Trump pode enviar militares ao Brasil em caso de condenação de Jair Bolsonaro? | Imagem gerada por IA

Assim que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, finalizava seu voto pela condenação de Bolsonaro no julgamento da trama golpista de 8 de janeiro, na última terça-feira (9), a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que Trump estaria disposto a usar poder econômico e até meios militares para “proteger a liberdade de expressão ao redor do mundo”, em uma clara ameaça à soberania do Brasil.

Poderia o presidente americano enviar tropas ao Brasil caso Bolsonaro seja condenado? O que diz a lei sobre isso? Há uma resposta direta e objetiva: não, a lei não permite.

A Constituição americana é muita clara ao enfatizar que apenas o seu Congresso pode declarar guerra contra outro país. Por mais que o presidente americano seja o líder de suas Forças Armadas, ele, sozinho, não pode determinar o ataque, invasão ou o envio de tropas ao Brasil.

Lei War Powers Resolution

Em 1973 os EUA aprovou a lei War Powers Resolution, onde fica determinado que os presidentes americanos só poderiam enviar tropas a um país sem a autorização de seu Congresso em caso de grave ameaça aos Estados Unidos ou aos seus cidadãos, o que não é o caso em uma condenação de Bolsonaro.

ONU

A Carta da Organização das Nações Unidas (ONU) estabelece que um país só poderia invadir o outro em caso de legítima defesa ou autorizado pelo Conselho de Segurança da própria ONU. Qualquer outra motivação fere o direito internacional e é considerada ilegal.

Operação Brother Sam

No Golpe de 1964 no Brasil os Estados Unidos chegou a planejar um apoio logístico aos militares brasileiros para derrubar o presidente João Goulart. Era um plano secreto, que só foi revelado anos depois, mas que acabou não sendo concretizado. Ele é conhecido como Operação Brother Sam.

*Com informações e consultas na Reuters, APNews, Friends Committee on National Legislation e Constituição dos EUA (Artigo I, Seção 8, Cláusula 11)