A polêmica máquina do Vaticano que teria revelado a crucificação de Jesus

O Cronovisor seria um suposto dispositivo capaz de permitir a observação de eventos do passado como se fossem transmitidos por uma "janela do tempo".

O projeto teria sido liderado pelo monge beneditino italiano Padre Pellegrino Ernetti, com a colaboração de 12 cientistas renomados

O projeto teria sido liderado pelo monge beneditino italiano Padre Pellegrino Ernetti, com a colaboração de 12 cientistas renomados | Domínio Público

Muito além de manuscritos históricos, cartas de reis e documentos papais, o Arquivo Apostólico do Vaticano — considerado um dos mais secretos do mundo — também abriga uma das maiores lendas já associadas à Igreja Católica: o Cronovisor, um suposto dispositivo capaz de permitir a observação de eventos do passado como se fossem transmitidos por uma “janela do tempo”.

O que seria o Cronovisor?

Descrito como um equipamento cilíndrico, com antenas misteriosas e um tubo tridimensional, o Cronovisor teria sido projetado para capturar ondas de som e luz do passado, permitindo visualizar e até registrar momentos históricos. Segundo defensores da teoria, não seria uma “máquina do tempo” tradicional, mas sim um visor que sintonizaria épocas específicas da história.

O projeto teria sido liderado pelo monge beneditino italiano Padre Pellegrino Ernetti, com a colaboração de 12 cientistas renomados, incluindo o físico Enrico Fermi, ganhador do Nobel, e o engenheiro aeroespacial Wernher von Braun, ex-nazista que trabalhou na NASA.

Padre Ernetti afirmava que o dispositivo teria registrado cenas bíblicas, como a Última Ceia e a crucificação de Jesus Cristo. Em 1972, uma dessas imagens chegou a ser publicada pela revista italiana La Domenica del Corriere, causando grande repercussão no país.

Mistério, críticas e suposta farsa

A existência do Cronovisor jamais foi comprovada. O Vaticano nunca confirmou publicamente informações sobre o suposto aparelho, e alguns acreditam que, se real, ele teria sido selado para evitar que caísse “em mãos erradas”.

Críticos, porém, veem inconsistências. Um artigo publicado na revista Paracelsus, em 1996, apontou que o design descrito lembrava dispositivos de romances de ficção científica dos anos 1940. Além disso, a famosa foto da crucificação seria idêntica a um cartão postal religioso do Santuário dell’Amore Misericordioso, sugerindo fraude.

Há ainda rumores de que o próprio Padre Ernetti teria confessado em seu leito de morte que tudo não passava de invenção — embora nunca tenha sido documentado oficialmente.

O “bunker” da Igreja

Mesmo que o Cronovisor nunca tenha existido, o lugar onde estaria guardado é real e impressionante. O Arquivo Apostólico do Vaticano, antes chamado de Arquivo Secreto, reúne 85 quilômetros de prateleiras subterrâneas, com documentos do século 8 até hoje. Entre eles, estão o julgamento de Galileu Galilei e as cartas do rei Henrique VIII pedindo a anulação do casamento com Catarina de Aragão.

Fé, ciência e conspiração

A combinação entre religião, ciência e mistério mantém o Cronovisor vivo no imaginário popular. Para muitos, trata-se de mais uma lenda alimentada pelo fascínio em torno dos segredos do Vaticano. Para outros, é um exemplo de como teorias conspiratórias ajudam a manter vivas as perguntas sobre os limites do conhecimento humano.

Seja mito ou verdade, o Cronovisor permanece como um dos enigmas mais intrigantes da história contemporânea da Igreja Católica.