Cineasta de Santos quer fazer história e ser ‘a primeira brasileira a ganhar um Oscar’

Ao Diário, a empreendedora e diretora Naomi Costa comenta sobre o desenvolvimento do seu curta de animação 'Light On'

Ao Diário, a empreendedora e diretora Naomi Costa comenta como começou a desenvolver seu curta-metragem

Ao Diário, a empreendedora e diretora Naomi Costa comenta como começou a desenvolver seu curta-metragem | Júlia Macedo/DL

Desde a infância, a empreendedora e diretora Naomi Costa sempre demonstrou carinho pelas animações, especialmente da Disney. Até que um dia decidiu arriscar na área, criar seu próprio curta-metragem e iniciar uma trajetória ambiciosa: trazer o Oscar para o Brasil.

Em entrevista ao Diário do Litoral, a cineasta, nascida em Santos, recorda que antes de produzir o curta, já estudava formas de entrar no universo da animação e outras áreas corporativas, para conseguir vender sua ideia.

Para isso, ela passou a observar os créditos finais de animações de estúdios como a Disney e procurar os profissionais nas redes sociais, como Instagram e LinkedIn, além de frequentar eventos com o objetivo de ampliar seus contatos.

“Passei a conversar com alguns profissionais da área para entender como é poder entrar ou trabalhar em um estúdio de animação”, comenta Naomi.

Um dos contatos mais importantes foi o animador Danny Arriga, ex-diretor de arte da Pixar e atualmente animador da Disney. As conversas com ele ajudaram Naomi a entender como começar a se envolver profissionalmente na área.

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Ideia para o curta

Fã de oceanos e da vida marinha, Naomi sempre teve contato com fotógrafos da área. Um dia, teve um insight:

“Sou muito fã da NatGeo. Vi uma matéria de dois fotógrafos que registraram uma foca-leopardo na Antártida”, recorda a cineasta.

“Quem trabalha com animação precisa observar e ser curioso. Eu ficava olhando meu cachorro Zezinho e pensando que ele parecia uma foca.”

Foi nesse momento que nasceu a ideia para o curta Light On, apelidado carinhosamente de “Foca”.

Na época, Naomi não tinha acesso a roteiristas ou produtores experientes.

“Passei a fazer meus primeiros storyboards, mostrar para amigos e até desconhecidos. Queria ver se estavam entendendo minha proposta.”

Recursos e desafios

Um dos maiores desafios para que Light On saísse do papel foi a captação de recursos.

“Em 2021 tentei diretamente com verbas de marketing de empresas, mas percebi que seria mais difícil. Eu também não tinha preparo em estratégias financeiras e de marketing”, lembra Naomi.

Diante disso, ela assumiu múltiplas funções, estudando finanças, marketing e comunicação. Hoje, Naomi atua como autora, diretora, produtora executiva, marketing, RH e outras funções.

Apesar do interesse de algumas empresas, ela precisou regularizar o projeto no Ministério da Cultura, aprovado em novembro de 2023, mas recebeu negativas de todas elas.

“Comentei com um amigo da natação, Estevão Mota, que me indicou a multinacional Asia Shipping. Nunca tinha procurado essa empresa antes.”

Na reunião com o CEO, ela recebeu não apenas aprovação, mas incentivo para almejar o Oscar:

“Ele deixou claro que queria entrar para vencer.”

Equipe e apoios

Com o apoio da Asia Shipping, Naomi começou a formar uma equipe de quase 200 pessoas, atuando em diversos setores. Apesar disso, enfrentou desafios com funcionários voluntários e precisou investir recursos próprios.

Um detalhe importante que passou despercebido inicialmente foi o armazenamento de arquivos:

“Na pré-produção, alguém perguntou ‘onde vamos armazenar tudo isso?’. Em julho de 2025, a Startup Lucidlink entrou como patrocinadora, oferecendo terabytes para armazenar quase 200 mil arquivos.”

Além disso, em junho, a SideFx passou a oferecer suporte com software para efeitos visuais.

O filme também é monitorado pela Gusmão Labrunie, um dos principais escritórios de Propriedade Intelectual e Direitos Autorais. Além disso, o Naomi recebeu reconhecimento oficial da Marinha do Brasil sobre seu curta.

Lançamento

Previsto para ser finalizado entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, o curta Light On não será lançado inicialmente ao grande público. Primeiro, percorrerá os principais festivais de cinema que servem como trampolim para o Oscar, com inscrições no segundo semestre de 2026.

“Quero ser a primeira mulher brasileira a ganhar um Oscar e trazer orgulho ao nosso país e à indústria de animação.”

Até o presente momento, os detalhes do curta “Light On” estão disponíveis no Instagram (https://www.instagram.com/lightonanimatedshort_) e no site oficial da produção (https://www.lightonmovie.com/).