Não havia tapete vermelho no teatro. O glamour estava na alma de cada ator, diretor e produtor dos filmes concorrentes do festival. A música da banda santista de hip hop Tarja Preta deu cor à festa com sua mensagem de protesto contra o preconceito racial. Está aberto o 11º Festival de Cinema de Santos, o Curta Santos.
A cidade será a capital do cinema até sábado. Nas telonas serão exibidos 20 curtas metragens que concorrem nas categorias Olhar Brasilis e Olhar Caiçara, sendo dez filmes do circuito nacional e dez produções regionais, respectivamente. Além dos filmes, dez videoclipes concorrem na categoria Videoclipe Caiçara.
O prefeito de Santos Paulo Alexandre Barbosa, o secretário municipal de Cultura Raul Christiano, a deputada estadual Telma de Souza, a ex-deputada Maria Lúcia Prandi e o ex-secretário de Cultura de Santos Carlos Pinto, entre outras autoridades, marcaram presença na abertura do evento, realizada na noite de terça-feira, dia 15 de outubro, no Teatro do Sesc.

No Dia dos Professores, com o espírito do “fazer cinematográfico”, a direção do festival passou uma “lição de casa”: a de fazer valer a “ação” para o fomento da produção regional de cinema por meio de políticas públicas e investimentos.

“Este ano, o Curta Santos tem um formato diferente e provocador. Estamos convidando as pessoas a irem às salas de cinema, verem o filme e dialogarem com a gente. Discutirem as questões: Que cinema fazemos? Que cinema nós queremos?”, declarou o diretor geral do Curta Santos, Ricardo Vasconcellos.
Ricardo ressaltou ainda o papel importante do festival. “O Curta Santos deixa de ser um espetáculo para ser um colaborador da cultura da Região”.
“Este tipo de evento serve para estimular os grandes talentos que nós temos a produzir na Cidade e fora dela”, afirmou o prefeito Paulo Alexandre Barbosa, que este ano inaugurou a primeira sala de cinema da Zona Noroeste, a sala Toninho Dantas.
O dramaturgo e produtor cultural Toninho Dantas, falecido em 14 de maio de 2010, aos 62 anos de idade, foi um dos principais incentivadores da arte cinematográfica, contribuindo para o cinema na Região com a fundação do Festival Curta Santos.
“Santos é uma cidade fotogênica, cada canto tem uma beleza particular. A questão do cinema está associada a isso. Há muitas histórias, muitos cenários, que podem transformar a cidade na Capital do Cinema, começando pelo Curta Santos”, afirmou o secretário municipal de Cultura, Raul Christiano.
Caio Blat recebe o Troféu Cláudio Mambert
Este ano, o Curta Santos homenageou o ator Caio Blat com o troféu Cláudio Mambert. Blat tem 33 anos de idade e já atuou em 22 filmes brasileiros. Uma marca recorde, mas que não surpreende considerando a versatilidade e o talento deste jovem ator, que não poderia ficar fora do set de filmagens durante a retomada do cinema nacional na última década.

“É uma honra receber um prêmio com o nome do Cláudio, uma pessoa muito especial, e também por eu ter uma ligação afetiva com a cidade, passei minha infância aqui em Santos. Eu me sinto muito jovem para ser homenageado. É um incentivo”, disse o ator Caio Blat em entrevista ao Cinema DL.
“Nós temos uma geração de atores jovens privilegiada no Brasil e a gente teve a dádiva de encarar a retomada do cinema brasileiro. A gente pôde construir uma história no cinema, através de filmes históricos, filmes que resgatam a nossa identidade, que fazem pensar o nosso país. É um privilégio fazer parte desta geração de atores, tenho muito orgulho dos filmes que estamos fazendo no Brasil e só tenho a agradecer”.

Pode-se dizer, que Blat vive o seu apogeu na sétima arte. “Tenho feito de três a quatro filmes por ano”. E vem mais por aí. O ator estará nas telonas em três novos longas: Entre Nós, de Paulo Morelli, que tem lançamento previsto no Brasil para o dia 28 de março de 2014; o drama Os Amigos, de Lina Chamie, ainda sem data de estreia; e Alemão, de José Eduardo Belmonte, sobre o Complexo do Alemão, que será lançado no dia 7 de fevereiro de 2014.
O ano de 2014 será muito promissor para Caio Blat, que estreará como diretor. “Estou me preparando para dirigir o meu primeiro longa no ano que vem. É uma adaptação do romance Juliano Pavollini, do Cristovão Tezza (escritor catarinense baseado em Curitiba), que pretendo filmar no ano que vem”, disse Blat ao Cinema DL. No entanto, o projeto ainda está em fase de captação.
No livro, o personagem Juliano Pavollini inicia suas memórias dizendo que tinha tudo para dar certo. E é impossível não concordar com ele. Uma trajetória curta, mas intensa. Num roteiro que se transforma em tragédia, apaixona-se perdidamente por uma Doroti, saída de algum filme, que Juliano deseja como a redenção de sua vida. O protagonista deste romance é tanto o adolescente esmagado pela insegurança, pelo erro e pela culpa de tudo que ele vive, quanto o homem maduro, na cela da prisão, confessando a uma psicóloga a sua história sempre dupla. A sua confissão é também um modo de refazer o passado e de dar um sentido ao futuro – da imagem que ele fizer de si mesmo dependerá, talvez, a sua liberdade.
Os concorrentes do Curta Santos
Os estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Espírito Santo, estão representados na mostra competitiva nacional de curtas-metragens, a Olhar Brasilis. Foram selecionadas 10 produções, entre documentários, animações e ficções para disputarem os Troféus Maurice Legeard nas categorias de melhor filme, melhor diretor, melhor ator e atriz, entre outras.
São eles, Borscht – Uma Receita Russa, de Marina Quintanilha (SP); Sanã, de Marcos Pimentel (MG); Pátio, de Aly Muritiba (PR); Ed., de Gabriel Garcia (RS); Graffit Dança, de Rodrigo Eba (SP); Preto Ou Branco!, de Alison Zago (SP); Todos Esses Dias Em Que Sou Estrangeiro, de Eduardo Morotó (RJ); Os Lados Da Rua, de Diego Zon (ES); Uma Vida Inteira, de Bel Ribeiro e Ricardo Santini (SP); Graça, de Anna Clara Peltier (RJ).
Na mostra Olhar Caiçara (regional), estão 213, de Fabrício Lima; Super, de Ricardo Bueno; Quimera, de Anita Barbosa; Angéllica, de Pedro José Canoilas; Amor Por Uma Noite, Bruno Arrivabene; Carregadores do Monte, Cássio Santos e Júlio Lucena; O Pequeno Monstro, de Kauê Nunes Melo e Nildo Ferreira; As Águas do Mar, de Jéssica Busato, Rebecca Alba e Thaianne Spinassi; Odem Lanoicarri, de Caroline Fernandes e Roberta Lapetina; Por Trás Dos Seus Cabelos: Ouvintes, de Claudia Gomes
Na mostra Videoclipe Caiçara (regional) concorrem, G.O.N.E, da Pro Choice (Delson de Matos Gomes); That Feeling, da Live.2 (Rodrigo dos Santos Cerqueira); Por Mais Uma Vez, da Alva (Rodrigo dos Santos Cerqueira); Não Sei, da Zebra Zebra (Kennedy Lui); O Silêncio da Madrugada, da Kouiot (Lucas Rodrigues); Pelo Hardcore, da Same Flann Choice (Tiago Januário); Em Frente, da Caio Bosco (Cesinha Neves); Plástico, da Flat Fun (Bruno Santoni); Levarei, da Pélico (Ludmilla Rossi e Kauê Nunes); e Falta Abolição, da Tarja Preta (Dino Menezes, Michel Custódio e Renato de Lone).
Para analisar as produções selecionadas para o Curta Santos foram selecionados seis profissionais (metade para cada formato). O produtor Daniel Gaggini, o ator e diretor Flávio Rocha e o cineasta Francisco Garcia avaliaram os melhores entre os curtas. A a cantora Kika Wilkox, a produtora multimídia Drika Lucena e o DJ Wagner Parra são responsáveis por analisarem os clipes.
Confira programação do Curta Santos em http://goo.gl/MpDp1L
