O estado de São Paulo registrou um crescimento expressivo nos casos de arritmia cardíaca ao longo de 2025. Entre janeiro e agosto, os atendimentos aumentaram 14% em relação ao mesmo período do ano anterior, passando de 43,7 mil para 49,7 mil ocorrências, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP).
As mortes súbitas também subiram, de 1.394 para 1.487, o que representa um avanço de 6,6%.
No mês que marca o Dia Nacional de Prevenção das Arritmias Cardíacas e da Morte Súbita, celebrado em 12 de novembro, a Secretaria reforça a necessidade de hábitos saudáveis, exames regulares e acompanhamento médico contínuo como estratégias essenciais para reduzir riscos e prevenir complicações.
Estilo de vida e diagnóstico precoce
De acordo com o cardiologista Hugo Bellotti, diretor de Estimulação Cardíaca e Eletrofisiologia do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, o aumento dos casos está relacionado a uma combinação de fatores: mudanças no estilo de vida, crescimento do sedentarismo e melhoria no diagnóstico.
Bellotti explica que o consumo excessivo de álcool, o tabagismo, o estresse e a alimentação inadequada favorecem o surgimento de arritmias e outras doenças cardiovasculares.
Por outro lado, o sistema público tem se tornado mais eficiente na detecção e no tratamento das alterações cardíacas, o que também impacta o aumento dos registros.
O Instituto Dante Pazzanese, referência na área, ampliou sua capacidade de atendimento com a entrega de 42 novos leitos, sendo 10 de UTI e 32 de enfermaria. O investimento de R$ 9,8 milhões faz parte da política estadual de fortalecimento da rede de cardiologia.
O que é arritmia e quando buscar ajuda
As arritmias cardíacas são irregularidades no ritmo dos batimentos do coração – que pode acelerar (taquicardia), desacelerar (bradicardia) ou oscilar de forma descompassada.
Embora algumas sejam benignas, outras podem causar tontura, desmaios, falta de ar e até morte súbita.
O diagnóstico pode ser feito por meio de exames simples, como o eletrocardiograma, disponível na rede pública de saúde.
A SES-SP orienta que pessoas com palpitações persistentes, dor no peito, cansaço extremo ou histórico familiar de doenças cardíacas procurem atendimento médico o quanto antes.
As Unidades Básicas de Saúde (UBSs) são a porta de entrada para o acompanhamento dos pacientes. Quando necessário, eles são encaminhados para os Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs), que oferecem atendimento especializado e exames de rotina.
Como cuidar do coração
Entre as principais medidas preventivas indicadas por especialistas estão:
- manter uma alimentação equilibrada, com baixo teor de gordura e sal;
- praticar atividades físicas regulares (pelo menos 150 minutos semanais);
- evitar o tabaco e moderar o consumo de álcool;
- controlar pressão, colesterol e glicemia;
- e reduzir o estresse, adotando práticas relaxantes.
Bellotti reforça que pequenas mudanças na rotina, como subir escadas, dormir bem e evitar o cigarro, podem fazer diferença significativa na saúde do coração.
O médico ressalta que o diagnóstico precoce continua sendo a melhor ferramenta para prevenir complicações graves e salvar vidas.
