Um levantamento divulgado pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU em novembro, mostra mudanças importantes na população das grandes metrópoles do mundo.
No novo ranking, São Paulo aparece mais atrás do que em anos anteriores e ocupa o 13º lugar, com 18,9 milhões de habitantes.
O topo da lista agora pertence a Jacarta, na Indonésia. Seus 41,9 milhões de moradores renderam à cidade o título de área metropolitana mais populosa do planeta.
Outras megacidades em destaque
O relatório aponta que Daca, capital de Bangladesh, aparece agora na segunda posição, reunindo 36,6 milhões de habitantes.
Logo atrás vêm Tóquio, com 33,4 milhões, Nova Délhi, com 30,2 milhões, e Xangai, que soma 29,6 milhões.
A mudança mostra uma inversão importante no cenário urbano global.
Tóquio, que durante décadas figurou como a maior cidade do planeta, perdeu terreno com o avanço mais acelerado de outras metrópoles e o próprio ritmo lento de crescimento populacional.
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São Paulo perde força?
A queda de São Paulo no ranking populacional é desproporcional ao seu peso econômico.
De acordo com a Forbes, a metrópole permanece como o principal centro financeiro da América Latina e, nas Américas, só fica atrás de Nova York e Los Angeles.
Nos anos 1990, esse protagonismo populacional era mais evidente: em 1995, a metrópole brasileira chegou a ocupar o terceiro lugar mundial, reunindo 16,1 milhões de habitantes.
Lembrando que a cidade de São Paulo ainda possui cerca de 11 milhões de habitantes, e os dados da ONU se referem à Região Metropolitana, que abrange 39 municípios.
Portanto, o fluxo migratório em todo o estado ajuda a explicar a mudança no ranking. Dados do IBGE mostram que, entre 2017 e 2022, 736 mil pessoas chegaram a São Paulo, enquanto 825 mil partiram.
Para explicar esse comportamento, especialistas apontam o alto custo de vida, a busca por mais tranquilidade e segurança e o avanço do trabalho remoto, que permite viver em cidades menores sem abandonar empregos na Capital.
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Crescimento urbano acelerado
O relatório da ONU projeta que, até 2050, Adis Abeba, Dar es Salaam, Kuala Lumpur e Hajipur ultrapassarão 10 milhões de habitantes, enquanto metrópoles como Cidade do México e Chengdu já mostram queda populacional.
A organização destaca que 45% dos 8,2 bilhões de habitantes vivem hoje em cidades, mas os centros urbanos pequenos e médios avançam ainda mais rápido.
Segundo a ONU, há cerca de 12 mil centros urbanos no mundo – 96% com menos de um milhão de habitantes – e a expectativa é que esse total supere 15 mil até 2050.
Por Vitoria Estrela
