Paralisação nacional? Na Baixada Santista, caminhoneiros dizem ‘não’ e seguem rodando

Movimento marcado para quinta (4) ganha força em outros estados, mas sindicatos da região rejeitam adesão e consideram a pauta política

Greve de caminhoneiros em 2018 gerou um caos logístico em direção ao Porto de Santos

Greve de caminhoneiros em 2018 gerou um caos logístico em direção ao Porto de Santos | Divulgação

A mobilização nacional de caminhoneiros marcada para esta quinta-feira (4) — que pede mudanças estruturais no transporte rodoviário, revisão de leis e novos benefícios à categoria — não deve ter adesão oficial na Baixada Santista.

Embora lideranças de outros estados articulem bloqueios e paralisações, o Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam-Baixada) divulgou nota informando que não apoia e não participará do movimento.

A entidade, que representa autônomos da região, destaca que respeita o direito de manifestação, mas afirma que a mobilização anunciada “não se apresenta como uma pauta exclusiva do caminhoneiro”, classificando parte das reivindicações como politizadas — ponto que tem causado ruído entre motoristas de diferentes estados.

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No Litoral de São Paulo, caminhoneiros independentes também afirmam que não houve assembleias ou votação que legitimassem a paralisação regional.

Para Marcelo Paz, presidente da Cooperativa dos Caminhoneiros Autônomos do Porto de Santos (CCAPS), qualquer decisão deve ser construída coletivamente. “Sem consulta e sem consenso, não há como impor uma paralisação que impacte a economia da região e o acesso ao Porto”, afirmou.

Nota oficial do Sindicam-Baixada Santista:

“Circulam rumores sobre uma possível paralisação nacional dos Transportadores Autônomos para dia 04/12/2025. O SINDICAM Santos esclarece que: Não apoia e não irá aderir a essa mobilização. Respeitamos o direito de manifestação, porém, o movimento anunciado não se apresenta como uma pauta exclusiva do caminhoneiro, e sim político, o que não é o foco desta entidade.

O SINDICAM SANTOS existe para defender a dignidade, a segurança e as condições de trabalho dos autônomos, das associações, cooperativas e transportadores da Baixada Santista. Estaremos sempre presentes quando a causa for da categoria e para a categoria com seriedade, responsabilidade e independência”.

O que está sendo reivindicado no ato nacional

No restante do país, o movimento reúne demandas que vão desde reestruturação do Marco Regulatório do Transporte, aposentadoria especial de 25 anos de atividade e piso mínimo do frete com maior abrangência, até propostas mais amplas, como anistia a envolvidos em manifestações nos últimos 10 anos, subsídio ao óleo diesel, criação de pontos de descanso nas rodovias, linhas de crédito de R$ 200 mil para caminhoneiros negativados e isenção de IPI para renovação de frota.

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Entre reivindicações mais polêmicas estão a destinação de 30% das cargas de empresas estatais para autônomos, a criação da Justiça do Transporte e anistia administrativa e penal para movimentações anteriores da categoria.

Parte das propostas vem sendo compartilhada nacionalmente nas redes sociais, mas ainda sem uniformidade de apoio entre federações, cooperativas e sindicatos regionais.Região segue atenta, mas cenário é de baixa adesão

Sem assembleias convocadas, sem alinhamento entre cooperativas e com posicionamento formal contrário do sindicato regional, a tendência é que a Baixada Santista tenha atividade normal nesta quinta, especialmente no entorno do Porto de Santos — ponto estratégico de escoamento nacional.

Nas redes, lideranças nacionais afirmam que o movimento não tem ligação com grupos políticos, mas o posicionamento do ex-desembargador Sebastião Coelho e de apoiadores da pauta pró-anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro reacendeu o debate sobre influência ideológica na mobilização, o que também pesou na decisão de entidades regionais.

Por ora, a paralisação ocorre — mas longe de consenso. Na Baixada, a rota tende a seguir aberta.