Projeto quer barrar regra que libera CNH sem autoescola entenda o que está em jogo

Ala bolsonarista quer derrubar resolução que extinguiu obrigatoriedade das autoescolas, reacendendo debate nacional sobre formação de motoristas

Governo planeja cursos gratuitos para tirar CNH fora das autoescolas

Governo planeja cursos gratuitos para tirar CNH fora das autoescolas | Reprodução/Pexels

Um novo embate tomou conta da Câmara dos Deputados após a decisão do Contran que extinguiu a obrigatoriedade de autoescola para quem pretende tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

O movimento para reverter a medida é liderado pelo bolsonarista Coronel Meira (PL-PE), que protocolou um Projeto de Decreto Legislativo para anular a resolução aprovada no início de dezembro.

O texto já conta com adesão de outros parlamentares, entre eles Delegado Caveira (PL-PA), Gilson Daniel (Podemos-ES), Zé Adriano (PP-AC) e Fausto Pinato (PP-SP).

Para o grupo, a liberação do processo sem intermediação de autoescolas representa risco à segurança viária e ameaça um setor que emprega cerca de 200 mil pessoas em todo o país.

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Vice-líder da oposição, Meira afirma que o governo “ignora o papel essencial das autoescolas” e defende que a mudança pode elevar o número de acidentes por permitir uma formação “superficial”.

O deputado também alega que a resolução contém irregularidades legais, prejudica contratos já firmados e viola princípios constitucionais, como o direito adquirido e a irretroatividade de normas.

O que mudou na CNH?

A resolução do Contran — aprovada por unanimidade — mantém as provas teórica e prática, assim como o exame toxicológico para condutores das categorias C, D e E.

Porém, elimina a exigência de carga mínima de aulas teóricas e reduz a quantidade obrigatória de aulas práticas de 20 para apenas duas horas.

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Outra novidade é a possibilidade de que o candidato seja instruído por profissionais autônomos, sem vínculo com autoescolas, o que na prática abre espaço para que a habilitação seja obtida sem passar pelas instituições de ensino tradicionais.

Com o projeto em tramitação no Congresso, o tema agora volta ao centro do debate nacional e pode reacender uma disputa que envolve segurança no trânsito, liberdade de escolha e o futuro econômico das autoescolas no país.