Dormir com o cachorro: hábito fofo ou ameaça silenciosa para a sua saúde?

Para muita gente, ter o pet deitado ao lado traz conforto, carinho e sensação de segurança na hora de dormir

Entenda se pode ou não dormir com o seu pet

Entenda se pode ou não dormir com o seu pet | Freepik

Dividir a cama com o cachorro já virou hábito em muitos lares brasileiros. Para muita gente, ter o pet deitado ao lado traz conforto, carinho e sensação de segurança na hora de dormir.

Ao mesmo tempo, estudos recentes chamam atenção para os riscos envolvidos nessa prática. Pesquisadores apontam impactos na qualidade do sono e aumento da exposição a doenças transmitidas por animais.

Na prática, não existe uma resposta única. Dormir com o cachorro pode ser quase inofensivo em algumas famílias e bem problemático em outras, dependendo de fatores como higiene, rotina e saúde de tutores e pets.

Por que o cachorro pode atrapalhar o seu sono

Pesquisas sobre o tema indicam que dormir com o cachorro na cama tende a piorar a qualidade do sono em adultos e crianças. O principal motivo é simples: o animal se mexe, muda de posição e acaba acordando o dono.

Segundo estudo publicado na revista Scientific Reports em 2024, adultos que dormem com pets apresentam maior tempo para pegar no sono e mais despertares noturnos. Mesmo quando a pessoa não lembra, o corpo reage aos movimentos do cão.

Outro trabalho, divulgado no Journal of Pediatric Psychology, mostrou que crianças e adolescentes que dividem a cama com o cachorro dormem menos tempo e acordam mais durante a noite. Isso pode afetar atenção, humor e rendimento escolar.

Pesquisadores australianos também observaram, em estudos com monitoramento por actígrafo, que cães na cama aumentam a quantidade de movimentos noturnos dos donos. Na prática, o sono fica mais fragmentado e menos reparador.

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Zoonoses e higiene: quando o pet vira risco

Além do sono picado, existe a preocupação com zoonoses, doenças que passam de animais para humanos. Dormir encostado no cachorro, com contato direto de pele, saliva e pelos, facilita essa transmissão.

Artigo publicado na revista Pathogens chamou atenção para microrganismos encontrados em animais de estimação que dormem na cama dos tutores, como bactérias da família Enterobacteriaceae e parasitas de pele.

Segundo esse estudo, o risco aumenta quando o pet não passa por vermifugação regular, não tem controle de pulgas e carrapatos e não visita o veterinário com frequência. Também pesa o fato de muitos donos desconhecerem essas ameaças.

  • pulgas e ácaros que causam alergias e coceiras na pele;
  • bactérias que podem provocar infecções em pessoas vulneráveis;
  • doenças mais graves, embora raras, como peste e doença da arranhadura do gato.

Especialistas alertam que crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com imunidade baixa devem ter cuidado redobrado. Para esses grupos, o ideal é que o pet não durma na mesma cama.

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Benefícios emocionais que explicam o apego

Apesar dos alertas, muitos estudos também registram aspectos positivos do hábito. Em pacientes com dor crônica, por exemplo, pesquisa publicada na revista Social Sciences mostrou que a presença do cão no quarto gera sensação de alívio.

Outro trabalho, divulgado em revista sobre saúde do sono infantil, indica que algumas crianças se sentem mais seguras e menos ansiosas quando o cachorro dorme por perto, o que ajuda a criar rotina mais estável na hora de deitar.

Entre adultos que moram sozinhos, donos relatam menos solidão e mais conforto emocional ao dividir o quarto com o animal. Em alguns casos, o impacto negativo no sono é pequeno e as pessoas consideram o “preço” aceitável.

Pesquisadores ressaltam que o problema costuma crescer quando há mais de um animal na cama ou quando o cão é muito agitado. Nesses cenários, o número de interrupções noturnas sobe bastante.

Cuidados para quem não abre mão do pet na cama

Se você já acostumou o cachorro a dormir com você e não pensa em mudar, vale adotar medidas para reduzir os riscos. A primeira delas é manter a saúde do animal em dia, com vacinações, vermífugos e visitas regulares ao veterinário.

Veterinários recomendam higienizar o pet com banhos adequados, secagem correta e controle rígido de pulgas e carrapatos. Também é importante manter a cama limpa, trocar lençóis com frequência e aspirar o colchão.

Para proteger o sono, uma estratégia é deixar o cachorro na cama apenas depois que você já adormeceu ou limitar o espaço com uma caminha própria ao pé da cama. Isso diminui o impacto dos movimentos do animal.

Pessoas com alergias respiratórias, rinite forte ou histórico de problemas pulmonares devem conversar com um médico. Em muitos casos, a recomendação será manter o pet fora do quarto, mesmo que isso exija adaptação aos poucos.

Quando repensar o hábito e buscar ajuda

Se você acorda cansado, sente sono durante o dia ou ouve comentários de que se mexe muito à noite, vale observar se a presença do cachorro na cama está piorando o descanso. Um diário de sono simples já ajuda a notar o padrão.

Especialistas indicam procurar um médico do sono quando o cansaço é constante, há roncos intensos, pausas respiratórias ou insônia frequente. Nesses casos, cada detalhe da rotina noturna, inclusive o pet, entra na avaliação.

No fim, dormir com o cachorro na cama não é apenas uma questão de afeto. É uma escolha que envolve sono, higiene, saúde física e mental. Entender os riscos e benefícios ajuda a decidir com mais consciência o melhor para você e para o seu cão.