Filme brasileiro entra no top 3 de 2025 e é exaltado por crítico da The New Yorker

A lista, divulgada nesta segunda-feira (15) nas redes sociais da publicação, coloca a produção nacional atrás apenas de 'Pecadores', em primeiro lugar, e 'The Mastermind', na segunda posição

O filme acompanha a trajetória de um cientista da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), interpretado por Wagner Moura, que passa à clandestinidade após confrontar interesses ligados ao regime

O filme acompanha a trajetória de um cientista da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), interpretado por Wagner Moura, que passa à clandestinidade após confrontar interesses ligados ao regime | Vitrine Filmes/Divulgação

O cinema brasileiro ganhou novo destaque internacional nesta semana. ‘O Agente Secreto’, novo longa de Kleber Mendonça Filho, foi eleito o terceiro melhor filme de 2025 pelo crítico Richard Brody, da revista The New Yorker.

A lista, divulgada nesta segunda-feira (15) nas redes sociais da publicação, coloca a produção nacional atrás apenas de ‘Pecadores’, em primeiro lugar, e ‘The Mastermind’, na segunda posição.

Para Brody, 2025 foi um ano ‘espetacular’ para a indústria cinematográfica. Segundo o crítico, muitos dos lançamentos recentes se destacam por confrontar o poder e questionar ‘as enormes forças sociais que formam e deformam a vida das pessoas’, usando o cinema como instrumento de resistência política, histórica e cultural.

Ditadura, ciência e perseguição política

Ambientado em 1977, quando a ditadura militar brasileira completava 13 anos, ‘O Agente Secreto’ acompanha a trajetória de um cientista da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), interpretado por Wagner Moura, que passa à clandestinidade após confrontar interesses ligados ao regime.

Na trama, o personagem é perseguido por um empresário aliado à ditadura, que tenta interferir nos trabalhos científicos desenvolvidos pela equipe do pesquisador. A narrativa combina tensão política, drama pessoal e crítica social, dialogando diretamente com um dos períodos mais sombrios da história recente do país. O filme segue em cartaz nos cinemas brasileiros.

Um cinema que desafia estruturas de poder

A escolha de Brody evidencia uma afinidade temática entre os três filmes que lideram sua lista. ‘Pecadores’, de Ryan Coogler, vencedor do primeiro lugar, se passa no Mississippi, em 1932, e acompanha dois irmãos gêmeos — ambos vividos por Michael B. Jordan — que transformam um antigo moinho em um juke joint, espaço cultural afro-americano marcado por música, apostas e resistência.

A narrativa ganha contornos fantásticos ao abordar vampiros que se apropriam da música negra, em uma metáfora sobre exploração cultural. O filme chegou ao Brasil em abril de 2025.

Já ‘The Mastermind’, de Kelly Reichardt, ocupa a segunda posição com uma história mais intimista: um marceneiro desempregado, interpretado por Josh O’Connor, convence amigos a roubar pinturas de um museu local. Ao longo da jornada, o filme provoca reflexões existenciais e morais, mantendo o tom crítico que marca a filmografia da diretora.

Premiações e corrida pelo Oscar

‘O Agente Secreto’ já acumula um currículo expressivo no circuito internacional. O longa venceu os prêmios de melhor ator e melhor diretor no Festival de Cannes, além de ter sido indicado, no último dia 8, ao Globo de Ouro em três categorias: melhor filme de drama, melhor filme em língua não inglesa e melhor ator em filme de drama. A cerimônia acontece em 11 de janeiro.

A principal ambição, no entanto, é o Oscar. A Academia divulgará os finalistas em janeiro, e a lista de Richard Brody reforça o otimismo em torno do representante brasileiro. Dos três filmes escolhidos pelo crítico, apenas ‘O Agente Secreto’ pode concorrer na categoria de melhor filme internacional.

Caso seja indicado — e eventualmente premiado —, o longa de Kleber Mendonça Filho pode seguir o caminho aberto por ‘Ainda Estou Aqui’, primeiro filme brasileiro a conquistar uma estatueta do Oscar.

Além disso, a produção também disputa o Critics’ Choice Award nas categorias de melhor filme internacional e melhor ator, consolidando sua posição como um dos títulos mais fortes do cinema mundial em 2025.